Morreu Rodrigo Rodrigues

 

 

Eita, dia triste este 28 de julho de 2020. A morte de Rodrigo Rodrigues por conta de complicações decorrentes da Covid-19 é uma dessas tragédias sem nenhum sentido. Jovem – 45 anos – boa praça, gente fina, simpático, roqueiro, flamenguista, o cara só tinha qualidades visíveis. Se tinha defeitos, disfarçava muito bem. Sua passagem conseguiu o que os executivos de marketing jamais imaginariam: uniu a ESPN-Brasil, SporTV, Fox e Globo num luto coletivo, doído, triste de se ver.

 

Rodrigo estava internado na UTI por conta de trombose cerebral, em coma induzido. O ponto de partida para este quadro de saúde seríssimo foi a Covid-19, que agravou sua condição. A partir dela as complicações vieram e o resultado triste. Há pouco estavam vários jornalistas inconsoláveis – Lédio Carmona, André Rizek, Paulo Vinícius Coelho, além de Juca Kfouri, cuja imagem surgiu no telão do SporTV, nesta edição terrível do Redação, programa habitual da emissora. Kfouri não conseguiu segurar as lágrimas, aliás, ninguém conseguiu. Até o vetusto Carmona, cuja seriedade era zoada por Rodrigo no ar, não segurou.

 

Além de tudo, da indissociável condição de pessoa legal, Rodrigo ainda era um cara ligado ao rock. Guitarrista, ele dizia que o jornalismo o havia tirado deste caminho do show e quem fez isso foi o veterano José Trajano, ex-ESPN-Brasil, que o levou para a emissora há tempos e de quem se tornou grande amigo. Trajano avisava pelo Twitter de sua total incapacidade em atender chamados para falar de Rodrigo, tão inconsolável que estava. No Bate-Bola Debate, na ESPN-Brasil, o clima também era de consternação geral, com todo mundo lembrando com carinho de situações em que estiveram com Rodrigo.

 

Rodrigo também escreveu o “Almanaque da Blitz”. Confesso que nunca liguei o nome dele ao autor do livro, que tenho há tempos. Agora, olhando novamente a capa, me dei conta da dimensão da presença do jovem apresentador no cotidiano da gente.

 

Que sua passagem tenha sido em paz e que esteja agora no grande estádio de futebol da eternidade, vendo seus mais queridos craques.

 

 

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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