Mauro Cezar Pereira deixa a ESPN

 

 

Um dos mais importantes jornalistas esportivos do país está fora da TV aberta. Mauro Cezar Pereira não aceitou a proposta de renovação de contrato oferecida pela ESPN Brasil e anunciou hoje sua saída da emissora do grupo Disney. Ele deixou nota no seu perfil do Facebook explicando os motivos.

 

Talvez o mais importante tenha sido a imposição para que ele desse “exclusividade” ao trabalho na emissora, abrindo mão de outras participações em veículos de rádio e impressos, bem como deixar de lado seus perfis em rede social. Mauro disse “não”.

 

Sua decisão mostra independência e força diante de um sistema que está cada vez mais viciado e voltado apenas para o lucro. E abre um ótimo precedente para colegas de profissão.

 

Abaixo está a íntegra de sua nota.

 

A Célula Pop deseja a ele sorte e reafirma sua admiração por seu trabalho e isenção. E vai continuar seguindo seus perfis e acompanhando seu ótimo trabalho.

 

 

Após mais de 16 anos, deixo os canais ESPN.

 

Uma história que começou quando Paulo Cesar Vasconcellos, companheiro de Jornal do Brasil na década 1990, sugeriu meu nome ao grande José Trajano, em outubro de 2004.
Sempre serei grato. Como aos colegas que me toleraram por tanto tempo.

 

Jamais fui de reclamar de emprego sem me mexer. Se não estava bom, procurava outro. E nunca trabalhei por tanto tempo no mesmo lugar. Mas a ESPN não é mais o mesmo lugar. Mudou, deixou de ser meu habitat. Melancólico admitir, mas como disfarçar? Direito dela, claro.

 

Recentemente, lá de fora, veio outra alteração que modifica a relação com funcionários. A inflexível proposta do grupo para renovar contrato trazia em anexo um “cadeado” onde se lia “exclusividade”! E sem grandes contrapartidas. Em 2021? Nessa altura da vida, com quase 38 anos de carreira? Abrir mão de tudo? Seria frustrante, além de um retrocesso profissional.

 

Não, eu não estava disposto a fazer isso comigo mesmo. Saio orgulhoso por ter contribuído com a TV que marcou época investindo no jornalismo que acredito. Com muito trabalho, horas e horas, dia após dia, construí a estrutura profissional que me permite escolher. E é ótimo poder dizer “não” quando há incompatibilidade entre o que nos é proposto e nossos planos, sonhos.

 

Mesmo sem êxito, agradeço o empenho da diretoria brasileira, que tentou minha permanência, reconhecendo meu valor profissional. Desejo boa sorte aos que ficam, afinal, como disse Nelson Rodrigues, “sem sorte não se chupa nem um Chicabon”.

 

Os interessados em meu trabalho continuarão me encontrando aqui, no meu canal do YouTube (cada vez mais importante para mim, agora com Clube de Membros), no Twitter, no Facebook, no Sparkle, em meu Blog e em vídeos no UOL, nos podcasts Posse de Bola e Muito Mais do que Futebol, na Live Soft Open, no Um Dois Esportes da Gazeta do Povo, no Estadão, no curso online de jornalismo esportivo e onde mais a profissão me levar.

 

Como sempre levou. E mais uma vez levará. Saudações!

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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