Marina Sena é o melhor do pop nacional atual

 

 

 

Marina Sena – De Primeira

Gênero: Pop

Duração: 34:25 min.
Faixas: 10
Produção: Iuri Rio Branco e Marina Sena
Gravadora: Independente

4.5 out of 5 stars (4,5 / 5)

 

 

 

 

Marina Sena, 24 anos, natural de Taiobeiras, norte de Minas Gerais, tem tudo para ser a nova estrela da música pop nacional. Quando eu digo “pop”, estou levando em conta dois fatores: capacidade de ser ouvida por multidões e de produzir algo com qualidade mínima a ponto de não ser desprezado em uma análise mais criteriosa. Sendo assim, a música que Marina faz é extremamente superior a sertanejos, arrochadores, funkeiros fake e demais gêneros banalizantes da música popular brasileira (sem sigla) de consumo indiscriminado. E, sim, Marina ainda está no começo de sua trajetória, ainda que já tenha sete anos de carreira, divididos entre sua presença nas bandas Rosa Neon e Outra Banda da Lua. Com elas, Marina lançou discos em 2019 e 2020, completando a trilogia com este seu primeiro solo, “De Primeira”, agora, em 2021. E é com este álbum que ela vem peitar a cena atual da música brasileira que importa, que diz algo, que vale ouvir, conhecer e passar adiante. Marina é nossa.

 

A cantora e compositora mineira não tem qualquer pudor em dizer que tem talento para compor, para cantar, que gosta de mostrar seu corpo, que se entende como uma artista que comporta tanto a parte sonora quanto visual e que está aí para ser famosa, mesmo. Marina também diz que gosta de aparecer, que é assim desde criança e que há tempos deixou de se achar “estranha” para se dar conta de que é assim mesmo, “aparecida”, como ela diz. E com esta postura diante da vida e, principalmente, do seu trabalho, ela conseguiu um pequeno milagre melódico com as dez canções de “De Primeira”, compostas por ela nos últimos três anos, na base do binômio voz/violão e, por fim, submetidas ao produtor paulista Iuri Rio Branco que, remotamente, enfileirou beats e fraseados eletrônicos, que conferiram à música de Marina um sabor que se equilibra entre latinidade, brasilidade e, acima de tudo, modernidade. É música inegavelmente brasileira, que tem ressonância tanto de Gal Costa quanto de Anitta.

 

Estas duas cantoras são definidas por Marina como duas de suas maiores referências, às quais ela também junta Beyoncé, Rihanna e Rosalia, três artistas estrangeiras de alcance inequívoco. Sendo assim, não espanta que o espírito de “De Primeira” seja tão universal e pronto para a sedução indiscriminada do ouvinte. De fato, Marina teve o cuidado de lançar alguns clipes para dar ao público uma ideia bem precisa do que oferece. Sua música é assumidamente sensual, com cara de verão ideal, cheia de malandragem e muito fértil em termos de achados melódicos, mostrando que a menina, ainda por cima, é boa compositora e tem noção exata do que quer fazer. Nesta onda, ela já emplacou “Me Toca” como um hit em potencial para o próximo verão, que já começou nas paradas e playlists mais antenadas por aí. E ela é só o princípio do que temos aqui.

 

Não há faixa ruim em “De Primeira”, pelo contrário. Elas têm coesão e fazem parte deste mesmo contexto artístico que Marina quer oferecer. E ela já falou que as letras são para boys do passado, sobre amores platônicos e sobre aventuras e desventuras em sua vida de menina do interior vindo para a cidade grande e lidando com a fama. Sobra espaço para referências de samba a Djavan, de rap a trap, tudo junto. Destaques maravilhosos são muitos, mas a gente pode dizer que “Temporal”, com uma levada reggae simpática e eficiente, num arranjo um pouco mais lento, bate um bolão. Este á o caso também de “Voltei Pra Mim”, outro hit certo, já em fase de divulgação e boca a boca. Também há uma lindeza oculta, que é o samba “Tamborim”, que surpreende o ouvinte mais desatento lá pro fim do disco. E tem “Amiúde”, “Pelejei”, “Santo”, o disco é todo bom, com a certeza de que Marina canta sorrindo, o que faz muita diferença.

 

Anote aí: estamos vendo uma nova estrela da música brasileira surgindo. Ela é alegre, decidida, corajosa e cheia de vida. Em tempos como os nossos, é quase uma bênção. Ouça, conheça, passe adiante a obra de Marina Sena.

 

Ouça primeiro: “Tamborim”, “Santo”, “Temporal”, “Voltei Pra Mim”

 

 

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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