Madonna, 63 anos, 13 canções (+ 7 bônus)

 

 

Madonna fez 63 anos ontem, dia 16 de agosto de 2021. Claro que ela não tem essa idade, Madonna é praticamente atemporal dentro da cultura pop dos anos 80 pra cá. Ela simboliza a harmonia perfeita entre o pop americano bem informado, a nascente MTV, a incorporação da eletrônica na produção em estúdio e a noção de que a música é um veículo multiplataformas e amplo em seu espectro.

 

Surgida na cena de NYC, Madonna chegou aos ouvidos do planeta com seu terceiro disco, “Like A Virgin”, de 1984. Ela manipulava como poucos as linguagens de imagem, marketing e promoção midiática, enquanto deixava para produtores e compositores a tarefa de criar composições perfeitas para ela. São inúmeros os seus sucessos e ela ainda encontrou espaço para cutucar a religião, abraçar os movimentos LGBT, brincar de ser atriz de cinema, questionar a caretice conservadora da América e cravar seu nome como uma artista da mesma linhagem de David Bowie, tamanho o seu impacto na cultura pop.

 

Por isso, a gente separou seus maiores momentos na carreira, verdadeiros marcos da produção pop e listou aqui, em ordem de preferência. Praticamente tudo que está nesta seleção é clássico/perfeito. Veja, confira, sugira.

 

 

20 – “Die Another Day” (2002) – Madonna fazendo tema de James Bond, no caso de “Um Novo Dia Para Morrer”, uma das últimas aventuras com Pierce Brosnan no papel. O filme é meia-boca, mas a canção – que pega quase a integralidade da programação de “Music” – é sensacional. Do álbum “American Life”.

 

 

19 – “This Used To Be My Playground” (1991) – direto da trilha sonora de “Uma Equipe Muito Especial”, filme no qual Madonna atuou como uma jogadora de beisebol chamada May “All The Way” Mordabito. O longe tinha Tom Cruise como treinador e Genna Davis como outra jogadora. É uma dessas baladas belas e pungentes que Maddie grava de quando em vez.

 

18 – “Live To Tell” (1986) – faixa do sensacional álbum “True Blue”, que mais parece uma coletânea de sucessos do que um disco de carreira. É outra baladaça gelada e sofrida, com o indicativo de que Madonna foi aprendendo a cantar mais e melhor com o passar do tempo.

 

 

17 -“Erotica” (1992) – a faixa-título do “escandaloso” álbum de Madonna é um desses colossos dançantes que ela gravou ao longo de toda a carreira. Aqui ela se inseriu na produção pop noventista musical e visualmente, assumindo de vez sua persona sexual e povoando a imaginação de todos e todas naquele tempo. Marco.

 

 

16 – “I Want You” (1995) – Madonna faz ótimos covers. Este aqui é uma versão zero grau para o clássico de Marvin Gaye, com participação luxuosa e luxuriante do Massive Attack na produção e fornecimento de sons e batidas. Clássico de várias formas.

 

 

15 – “Love Don’t Live Here Anymore” (1984) – como a gente disse, Madonna é ótima de cover. Aqui ela tem o topete de reler uma baladaça belíssima do grupo Rose Royce, um dos gigantes do funk setentista americano. Fez muito sucesso e ajudou a catapultar o álbum “Like A Virgin” para os píncaros do sucesso.

 

 

14 – “Crazy For You” (1984) – se Madonna é boa de covers baladeiras, também é excelente em originais. Esta foi o primeiro sucesso dela neste terreno e chamou muito a atenção de quem imaginava que a moça só mandava bem nas faixas dançantes.

 

 

13 – “Hung Up” (2005) – esta foi a última gravação que Madonna fez que realmente chamou minha atenção. O uso do sample de “Gimme, Gimme, Gimme”, do Abba, é, basicamente, o alicerce da canção e faz tudo funcionar perfeitamente. Uma lindeza de canção.

 

 

12 – “Vogue” (1990) – outro marco definidor de música dançante, esta gravação veio na trilha sonora de “Dick Tracy” e o clipe, todo em preto e branco, usando linguagem da moda, da dança e de várias épocas ainda é um marco divisório na música pop.

 

 

11 – “Material Girl” (1984) – Madonna conseguiu como poucos artistas usar o videoclipe como ferramenta de promoção. Não bastasse esta ser uma canção praticamente perfeita, ela ainda surgia no clipe como uma Marilyn Monroe moderna, usando o mesmo figurino e dança de “Os Homens Preferem As Louras”, filme clássico, estrelado por Monroe. Outro clássico dos anos 1980, presente no álbum “Like A Virgin”.

 

 

10 – “Cherish” (1989) – faixa do sensacional álbum “Like A Prayer”, que mostrou uma espécie de maturidade artística de Madonna, mas também comprovou que ela nunca deixaria de ser uma artista banhada pelas águas mais tépidas do pop perfeito.

 

 

09 – “Holiday” (1983) – um dos maiores cavalos de batalha das pistas da primeira metade dos anos 1980. Tudo aqui é perfeito, mostra como Madonna conseguiu sintetizar as influências de Chic, Blondie e funk eletrônico daquele tempo. Colossal.

 

 

08 – “La Isla Bonita” (1986) – uma incursão na latinidade de almanaque que sempre povoou a obra de Madonna. O clipe é outro exemplo de bom uso das imagens, mostrando duas versões dela: uma, comportada e recatada; outra, sensual e insinuante. Não bastasse isso, a música é outra pérola pop.

 

 

07 – “Like A Prayer” (1989) – faixa-título do álbum de 1989, com Madonna falando sobre religião e desafiando o sistema com um clipe épico, no qual beija um Jesus negro e desafia a moral católica sobre desejo e vontade. Fez muito barulho na época e chegou a ser proibido na MTV americana.

 

 

06 – “Borderline” (1983) – uma fofura sonora da aurora do videoclipe, que traz Madonna com seu visual original, com rendas negras, brincos de crucifixo e aquela aparência limítrofe (“borderline”?) entre o feminino, o moderno, o sexy e o contestador. Belezura clássica.

 

 

05 – “Everybody” (1983) – o outro colosso dançante original que Madonna gravou dando partida em sua carreira. Essa canção é capaz de fazer quase todas as criaturas vivas mexerem alguma parte de seus corpos. Perfeição que segue jovem e fresca.

 

 

04 – “True Blue” (1986) – faixa-título do álbum que Madonna lançou sucedendo o multi-vendedor “Like A Virgin”. É uma canção com talhe pop sessentista clássico, lembrando muito Supremes e girl grups dourados de gravadoras como Motown e Philles. Maravilha maravilhosa.

 

 

03 – “Papa Don’t Preach” (1986) – contraditória e genial, Madonna surgia aqui com o primeiro single de “True Blue” com uma canção anti-aborto, peitando o pai sobre o seu desejo de ser mãe, mesmo com seu namorado tendo sumido. No clipe ela contracena com o saudoso Danny Aiello. A produção é límpida e cristalina, pegando no ponto exato de onde “Like A Virgin”, o disco anterior, parou.

 

 

02 – “Like A Virgin” (1984) – faixa-título do álbum que arremessou Madonna para o estrelato, via um compêndio de produções pop perfeitas, lideradas e engendradas por Nile Rodgers e devidamente revestidas por imagens e molduras perfeitas. O clipe desta canção mostrava a moça em sua versão mais bela e sexy até então, algo próximo da perfeição. A música? Bem, composta por Nile, ainda é um clássico do pop planetário atemporal.

 

 

01 – “Into The Groove” (1985) – canção que entrou na trilha sonora de “Procura-se Susan Desesperadamente”, filme que ela aparecia – de forma coadjuvante – mas era estrelado por Rosanna Arquette. É a perfeição pop dançante oitentista em essência, tudo no lugar, nada a mexer ou modificar. Este site acha que este é o píncaro do sucesso madonnesco em todos os tempos temporais.

 

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

5 thoughts on “Madonna, 63 anos, 13 canções (+ 7 bônus)

  • 19 de agosto de 2021 em 23:54
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    Nile Rodgers não escreveu “Like a Virgin”. E creditar a qualidade das canções aos compositores e produtores não faz sentido, vez que em 90% dos casos é a própria Madonna que escreve e produz as músicas, muitas vezes com colaboradores sim, mas o texto faz parecer que ela não tem qualquer participação no processo criativo, o que simplesmente não é verdade.

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    • 20 de agosto de 2021 em 06:45
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      Eu concordo, mas em parte, Bruno. Acho que a Madonna foi adquirindo esta capacidade aos poucos. No “Like A Virgin” acho que o mérito é, na pior das hipóteses, meio a meio. A produção do Nile – que chefiou discos do Duran Duran e do Bowie na mesma época – é fundamental para moldar a sonoridade do álbum e da própria Madonna popstar da época. Sobre a autoria da canção, você está certo, e o texto não diz que ele é o autor da canção. Valeu!

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      • 20 de agosto de 2021 em 13:42
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        Oi! Legal você ter respondido. 🙂

        Sobre a autoria de “Like a Virgin”, o texto diz: “A música? Bem, composta por Nile, ainda é um clássico do pop planetário atemporal”, sendo que Nile Rodgers não tem crédito nenhum na composição.

        Ainda, se formos ouvir a demo original dos verdadeiros compositores (Billy Steinberg e Tom Kelly), Nile Rodgers não mudou praticamente nada na produção, segue o link:

        https://www.youtube.com/watch?v=GsttxzlrHHI

        Quanto à evolução da Madonna como compositora e produtora, isso é bastante perceptível, mas acho que desde o início ficou claro o quanto ela sempre esteve à frente do processo. Basta ver que, das 8 músicas do primeiro álbum, 5 são completamente escritas por ela (letra e música), sem nenhuma parceria, o que era um feito inédito na época quando se fala em pop mainstream.

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  • 18 de agosto de 2021 em 14:56
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    Sacrilégio não ter colocado ” Beautiful Stranger “, nessa lista, kkk!!!

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  • 18 de agosto de 2021 em 09:27
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    Uma lista tão perfeita e ainda “esqueceu” Justify my love” e “Express yourself”, hahaha. Pra fazer justiça, vou ouvir essa e todas as outras da lista!

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