Jenny Lewis – On The Line

Gênero: Rock Alternativo
Duração: 47 min
Faixas: 11
Produção: Ryan Adams
Gravadora: Warner

3 out of 5 stars (3 / 5)

 

Jenny Lewis é a representante mais moderna de um poderoso arquétipo do rock. A mulher californiana (mesmo nascida em Las Vegas, ao lado), sensível, solar, com boas letras e a impressão de que vai, cedo ou tarde, se transformar numa estrela da música pop. Despontou numa boa banda, o Rilo Kiley, a qual deixou para perseguir a carreira solo. Fez discos interessantes, mas que ficaram na cabeceira da pista, prontos para decolar, sem, no entanto, receber a autorização da torre de controle. Este “On The Line” é sua nova tentativa e, lamento, Jenny, fica novamente no quase.

Não faltam boas canções no álbum, especialmente o single “Red Bull & Hennessy”, que emula com precisão o que o Fleetwood Mac fazia em 1977/80. Não é estranho, uma vez que a banda tinha uma versão mais antiga do arquétipo de Jenny, Stevie Nicks. Ainda que a emulação seja mais da forma do que da poesia peculiar de Stevie, Jenny se esforça para mostrar uma relevância e um conhecimento do assunto que ainda é devedor. Parece que sua preocupação em provar sua capacidade em produzir um belo disco solo tem atrapalhado seu processo  criativo e sua execução. O trabalho anterior, “The Voyager”, foi lançado há cinco anos e padecia do mesmo problema: superficialidade, descompasso, excesso de estilo e carência de alma.

Não é por falta de convidados legais. Estão presentes Ringo Starr, Benmont Tench, Beck, Jim Keltner, Ryan Adams – também na produção – todos dispostos a arrumar o meio de campo e enfiar lançamentos que encontrem Jenny em posição de cutucar a bola pra rede adversária. O modelo de canção pop/rock tradicional – com um pé forte nos anos 1980 – torna a empreitada quase um exercício de estilo, ou seja, uma mera cópia do que se fazia nas paradas de sucesso AOR daquela década. Jenny não precisa disso, eu acho.

Além de “Red Bull & Hennessy”, os outros bons momentos surgem em “Taffy” (uma baladinha com belo arranjo de cordas), “Hollywood Lawn” (posicionada com graça entre o folk e o country), “Do Si Do” (com um belo arranjo que enfatiza a bateria característica de Ringo Starr e pianos que parecem vir de outra esfera) e “Party Clown”, talvez a mais inventiva de todo o disco, com Jenny modificando seu registro vocal em meio a um arranjo de pianos e sinos apocalípticos. Mesmo assim, ao fim do percurso musical, o que prevalece é a impressão nítida de que poderíamos ter ouvido mais.

Jenny Lewis está no caminho certo há muito tempo e já deveria ter mudado de fase no jogo. Seu tempo como promessa não cumprida da música americana está se acabando.

Ouça primeiro: “Red Bull & Hennessy”

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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