George Clooney e o grande filme de dezembro

 

 

Nestes tempos de clausura e perda de sentido em ir ao cinema, os serviços de streaming salvaram a pátria. E o fizeram em meio ao cancelamento/adiamento de gravações de inúmeros longas e séries, que alimentam de interesse o público. Vários projetos foram cancelados por conta da evolução da covid-19 e hoje, mesmo com cinemas abertos, o público não comparece o bastante para justificar a empreitada. Ou seja, é crise e má interpretação da realidade em efeito dominó, ameaçando ainda mais o emprego e a sobrevivência de vários profissionais do setor. Mas não é dessa triste verdade que falamos aqui, e sim daquele que parece ser o grande filme do mês, com data de lançamento marcada para 23 de dezembro: “O Céu da Meia Noite”, dirigido e estrelado por George Clooney. Promete e muito.

 

A história já é conhecida, porque é inspirada no romance “Good Morning, Midnight” estreia de Lily Brooks-Dalton, lançado em 2016. Na trama, Clooney é Agustine, um cientista solitário no Ártico que tenta impedir que Sully (Felicity Jones, de “Rogue One: Uma História Star Wars”) e sua equipe de astronautas retornem para à Terra após uma misteriosa catástrofe global. O filme ainda conta com David Oyelowo (“Selma”), Kyle Chandler (“Bloodline”), Demián Bichir (“Os Oito Odiados”) e Tiffany Boone (“Hunters”) no elenco e se insere nestas tramas recentes de ficção-científica distópica, nas quais o mundo acabou e nós ficamos aqui, tentando juntar os cacos, reavaliar o que sobrou e entender o que ainda sobra. Elas podem adotar formas diferentes, indo de “Birdbox” e “Um Lugar Silencioso” a este “Céu da Meia Noite”.

 

O trailer mostra um Clooney envelhecido e desgastado pela solidão, mais ou menos o mesmo parâmetro que ele estabeleceu no ótimo – e subestimado – “Tomorrowland”, de 2016, no qual se via às voltas com as mudanças de pensamentos sobre o futuro e sua materialização na realidade. O velho George se revelou um sujeito consciente com a nossa vida e tem contribuído, seja como ator, seja como diretor – ou ambos – para trazer algumas obras bem interessantes. Certamente o longa trará o romance que o inspira para o Brasil, algo que talvez não ocorresse sem a divulgação que virá.

 

A produção é da Netflix e o ótimo trailer você abaixo. E marque a data: 23 de dezembro.

 

Em tempo: quem assina a trilha sonora – belíssima – é Alexander Desplat, vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora por “Hotel Budapeste” e “A Forma da Água”, além de oito indicações.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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