Entrevista: Bella Schneider

 

Bella Schneider nasceu em Recife, PE, numa família meio alemã, meio brasileira. Toca vários instrumentos e também compõe em outros idiomas, como inglês, alemão e espanhol. Dona de uma voz ponderosa, Bella já abriu shows de bandas nacionais e também participou de festivais na Europa e reality shows musicais. Em 2017, lançou seu primeiro single e clipe em português, “Final Feliz” e agora apresenta o programa musical Usina Sonora, que é transmitido pela TV Nova Nordeste e TV Cultura.

 

A menina está lançando seu disco de estreia, “ELA”, que tem a produção de Diego Marx (Scalene) e a pós-produção de Henrique Andrade (Justin Bieber, Zayn, Rita Ora), ambos vencedores do GRAMMY®. Deste novíssimo trabalho, Bella já divulgou “NADA” e “NADA – Kassin Remix”, e agora vem com segundo single, “SIM”, que fala sobre a sua luta contra a depressão. Com distribuição LAB 344, “ELA” vai reunir composições autorais que flertam com o pop eletrônico e alguns ritmos do Recife contemporâneo.

 

Batemos um papo com a moça sobre a expectativa do lançamento e seus planos e influências. Como é de praxe nas pautas da Célula Pop, também perguntamos o que Bella acha da situação atual do país e como – se – vamos sair destes tempos péssimos que estamos vivendo.

 

 

Como é a empreitada de lançar um disco de inéditas no Brasil hoje em dia?

 

Enxergo como um grande desafio, e encaro como mais um passo significativo na minha evolução como artista. Vou poder conquistar mais público e, acima de tudo, impactar mais pessoas. A música, a arte, tem esse poder, e esse é o meu intuito com a minha música. Estou muito feliz com esta nova fase na minha carreira.

 

 

Seu primeiro single, “NADA”, já recebeu atenção nas redes sociais e ganhou um remix do Kassin. Como rolou essa parceria?

 

‘NADA’ é uma música forte, e tem uma mensagem importante, assim como todas as outras do álbum. Basta prestar atenção nas letras e linkar com o clipe. A parceria rolou através do selo LAB 344. Eu admiro muito o Kassin e amei a ideia. Afinal, ele é um dos produtores mais conceituados do nosso país. Um orgulho vê-lo somando esforços para reverberar meu single no mercado.

 

Como você se posicionaria em relação ao trabalho de tantas outras cantoras que estão iniciando carreira na música nacional atualmente?

 

Eu creio que tem espaço pra todo mundo, e é importante que cada uma siga a sua verdade. Estou vendo muita gente massa e, principalmente, mulheres empoderadas conquistando lugar no Brasil. Cada uma do seu jeito. O meu objetivo é levar amor, respeito e energia positiva. Impactar vidas na minha opinião é o maior legado que um artista pode deixar.

 

 

Você tem um passado que remonta ao The Voice Brasil. Como foi participar do programa e o que é preciso fazer para se livrar do estigma de ter participado dele?

 

Foi uma experiência incrível, de muito aprendizado e evolução. O programa tem grande audiência, e já nos apresentou artistas como Lucy Alves e Jade Beraldo. Ter chegado à final, vencendo o Cante Outra Vez, foi uma grande conquista!

 

 

Qual seu conselho para a menina que tá começando agora, canta bem e não sabe o que fazer para aparecer na mídia?

 

Eu acredito que, independente do que quisermos ser, é importante lutar por isso. É muito difícil seguir a carreira artística no geral por inúmeras razões sociais e culturais no nosso país. A construção é diária, e cada um deve trilhar sua própria história. É importante sonhar, mas sem tirar o pé do chão.

 

 

Como será o seu primeiro disco de inéditas, “ELA”? O que você já pode adiantar?

 

Será surreal! Estou imensamente feliz com esse trabalho porque ele tem vários pedacinhos de mim. Quase como uma flor onde cada pétala tem uma cor diferente. E por isso, os singles tem cores e significados. Eu sou essa pessoa cheia de influências, tanto nacionais quanto internacionais, por conta da minha história de vida, e eu creio que o Brasileiro é isso. Somos uma mistura, somos popzeira. Podem esperar muito pop, com pitadas dos anos 70 e 80, dance music, e-music, hip hop, influências árabes, instrumentos característicos do Nordeste como alfaia e berimbau, e muito mais.

 

Dá pra apontar alguma grande influência no seu estilo como cantora e compositora?

 

Eu diria que não tem apenas uma, mas várias. Como por exemplo: Beyoncé, Iza, Dua Lipa, Selena Gomez, Julia Michaels, Imagine Dragons, Taylor Swift, M.I.A., Shakira, e por aí vai!

 

 

Quem você gosta de ouvir nas horas vagas? Aquele tipo de música que não te influencia necessariamente, mas que te acalma, acarinha, dá colo etc?

 

A mesma galera que citei acima como referência! Minha mudança de estilo musical foi gradual. Eu já amava Hip Hop, música eletrônica e pop, mas meu estilo como profissional era Rock e Blues com uma pitada de Jazz. Desse mix todo nasceu meu estilo próprio, a minha popzeira. Fora isso, curto música celta, manguebeat, música carnavalesca, música clássica e praieira!

 

 

 

O que você tem achado da situação atual do país, especialmente em relação à cultura?

 

Acredito que vivemos a pior época de todos os tempos. Uma crise mundial: O estranhamento social, onde as pessoas estão se confrontando e se estranhando por qualquer motivo. Minha música tem linguagem universal, ela fala com todos os públicos e tem a intenção de reverberar o amor. Amor esse que está em escassez. Acredito que essa é minha arma para combater os males vivenciados em nosso cotidiano.

 

 

 

No final a gente vai ganhar dessa gente horrível?  Como?

 

Nossa maior arma é o amor. O respeito para com o próximo e conosco. O mundo respira assim como o oceano. Estamos no momento de expirar, mas já tem muita gente construindo a inspiração do Brasil e eu sou uma delas. Quero dizer que tudo pode ser superado.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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