White Denim – World As a Waiting Room

 

 

Gênero: Rock alternativo

Duração: 31 min.
Faixas: 9
Produção: James Petralli
Gravadora: Radio Milk

4.5 out of 5 stars (4,5 / 5)

 

O White Denim conseguiu um feito histórico: lançou um álbum composto, tocado, gravado, mixado durante a quarentena pela Covid-19. Nada de lives, singles, EP’s, “World As A Waiting Room” é um disco “cheio”, com nove faixas e o melhor da banda de Austin, Texas: a sua latente modernidade paradoxal, que mistura uma leveza impressionante em estúdio a traços e influências de southern rock, forjando um som que parece novíssimo, mas que deve os fundilhos a bandas como Allman Brothers e Lynyrd Skynyrd. Na verdade, o WD faz essa gente soar como se estivesse em 2022 de tão fresco que é o resultado de seus álbuns recentes.

 

Esta sensação permeia todas as faixas de “World As A Waiting Room”, um álbum característico deste nosso tempo. Se a gente cobrava uma atitude dos artistas em relação à pandemia, especialmente uma que não fosse assistencialista – nada contra, veja bem – mas que demonstrasse a captação deste momento único na história recente do planeta, agora não precisamos mais nos preocupar com isso. Desperdiçar as influências do confinamento, da mudança que ele promove na vida das pessoas e a (falta de) perspectiva diante da indefinição sobre o futuro são situações que formam um conjunto de informações inestimável. Mesmo que doa, mesmo que faça sofrer. E o resultado é um trabalho com o melhor da banda – a sua marca sonora característica – e a capacidade de fazer uma crônica do momento.

 

A liga sonora do White Denim está toda aqui. Tem o single “I Don’t Understand Rock’n’Roll”, ótimo título e ótima música, com teclados multidirecionais, levada aerodinâmica, guitarras nervosas em riffs constantes, uma verdadeira belezura, logo abrindo o disco. Em seguida vem mais nervosismo e pulação com “Matter Of Matter”, com bateria em formato de polvo e vocais mixados cheios de efeitos psicodélicos. Daí um canto de galo ao amanhecer abre “Work”, uma pequena obra-prima para se ouvir na estrada, uma cruza de The Doors fase “LA Woman” com uma pá de bandas de blues rock setentistas, tudo processado pelo filtro da pós-modernidade, com resultado vertiginoso e direito a solos em brasa nos minutos finais.

 

“Go Numb” é mais pop e abre espaço para a lindeza que é “Queen Of The Quarentine”, com percussões, clima de trópicos e coquetéis na beira da piscina, tudo devidamente soterrado por guitarras e uma levada pop de fazer inveja. A rapidez volta com “DVD” e se transforma em psicodelia e doideira em “Slow Death”, que é uma pequena aula de como aplicar filtros e efeitos em instrumentos convencionais. “Eagle Wings” é outro rockão em velocidade warp, devidamente endiabrado e com pitadas country, que conduz o ouvinte a mais uma gema: “King Prospero”, outra canção com poeira da estrada nos ombros da jaqueta de couro.

 

White Denim é uma das bandas mais bacanas do planeta. Tem inspiração, marca sonora própria e uma criatividade latente. E agora, depois deste álbum, entra para a história como o primeiro artista a lançar um disco completo em meio à quarentena de Covid-19. Não é pouco.

 

Ouça primeiro: “Work”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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