Weezer – Black Album

Gênero: Rock Alternativo
Duração: 38 min
Faixas: 10
Produção: Dave Sitek
Gravadora: Atlantic/Crush Music

3 out of 5 stars (3 / 5)

Este 2019 já tem doses cavalares de Weezer. Primeiro foi o lançamento do disco de covers, o “Teal Album”. Dividiu opiniões, os velhos fãs detestaram, o novos, que nem sabem direito o que a banda foi no passado, gostaram e alguns críticos de música – entre os quais eu me incluo – tentaram entender a empreitada de Cuomo e cia. Depois veio o anúncio do grupo como atração do Rock In Rio, algo que é motivo de comemoração, por mais que a carreira do Weezer nos últimos, sei lá, dez anos, seja questionável. Agora chega o tal “Black Album”, aguardado como redenção após as covers farofentas e entendido como uma espécie de resgate do passado glorioso. Aliás, aqui vai um aviso: deixe de esperar que Rivers Cuomo vá fazer discos como há 25 anos. Apenas deixe.

“Black Album” é tudo menos uma volta ao passado. E nem poderia/deveria ser. Cuomo, 49 anos incompletos, é um pós-nerd, se é que isso é possível. Entendeu que tinha uma banda de rock respeitável e a transformou num veículo para expressar-se com relativa segurança e ainda faturar alguma grana no processo. Neste espaço de tempo, compreendido entre 2005 e hoje, ele misturou exercícios de estilo, trouxe o Weezer perigosamente próximo da autoparódia mas, por outro lado, ainda mostrou força e sensibilidade para deixar velhos fãs com a certeza de que ainda havia algo válido em ouvir as canções do grupo. É como se fôssemos Luke Skywalkers esperando encontrar um pouco de Anakin em Darth Vader, para usar uma metáfora bem nerd.

Cuomo sabe o que está fazendo, não duvidem disso. Chamou Dave Sitek, do TV On The Radio, para a produção e “Black Album” conseguiu um nível altíssimo de perfeição nas sonoridades de estúdio. O que ouvimos é um pop rock moderno e polido, com uma linha de baixo funkeada aqui, uma bateriazinha eletrônica ali. Sacadas espertas de vocais sobrepostos, alguns efeitos acolá, metais irreverentes salpicados em algumas faixas…Além disso, nos surpreendemos com coisas como “The Prince Who Wanted Everything” e, especialmente, “California Snow”, que flertam firmemente com um tecnopop oitentista revisitado para os 2010’s. É quase inacreditável.

Também há mais situações inusitadas. O single “High As Kite”, uma balada afetuosa (algo que o Weezer sabe fazer muito bem), mistura simpatia na fronteira da paródia (in) voluntária, enquanto “Can’t Knock The Hustle”, faixa de abertura, tenta jogar alguma latinidade nerd no formato weezeriano de música. “Zombie Bastards” é quase uma canção infantil de revolta, com sonoridade que lembra Sugar Ray, um dos clones do Weezer nos anos 1990. Num campo próximo ao “funk”, estão “Too Many Thoughts In Ny Head” com o refrão “too many thoughst in my head now that I can’t get out of my bed”, algo que fica difícil de acreditar em relação ao próprio Rivers Cuomo, caso seja ele o personagem central da letra.

“Black Album” pode ser a coroação de um processo de auto-implosão consciente da banda numa espécie de inevitabilidade em relação ao mundo do pop e da mídia. Ou pode ser, simplesmente, a confirmação de que Rivers Cuomo não tem mais a manha. Mas, se for isso, como explicar momentos dourados que teimam em surgir de vez em quando. Weezer é uma banda para os terapeutas de plantão.

Ouça primeiro: “High As A Kite”

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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