This Is Us está de volta

 

 

Ontem foi o dia da estreia mundial da quinta temporada de “This Is Us”. A série americana é um dos maiores sucessos da história recente da televisão e chega até o público brasileiro pelo canal Fox Premium. Claro, dá pra vê-la em “meios alternativos”, especialmente trilhando os caminhos dos torrents e streamings por aí afora. Mesmo assim, o que importa não é isso, mas a qualidade impressionante que já foi vislumbrada nos dois primeiros episódios, exibidos em sequência, para matar um pouco da saudade dos fãs. A série teve a produção suspensa por conta da pandemia e esta temporada demorou bastante a sair. “This Is Us” não se furtou a falar do assunto, inserindo importantes menções ao uso dos equipamentos de proteção – máscaras, álcool gel etc – além de usar situações em que os cuidados diante da covid-19 eram necessários e notáveis. Além disso, o roteiro não deixou de lado a repercussão dos protestos pela morte de George Floyd, mostrando o impacto deles especialmente na família de Randall (Sterling K Brown).

 

O grande charme da série é a sua narrativa em múltiplas linhas de tempo. Este artifício impede que o espectador deixe de ver personagens queridos, que vão abandonando a trama porque morrem. É o caso principal de Jack, vivido por Milo Ventimiglia, morto no início da segunda temporada, mas que nunca deixou a história. Não foi diferente com os dois primeiros episódios, que mostram fatos em que ele e Rebecca (Mandy Moore) estão prestes a ter os filhos e se dirigem ao hospital. E, também como de costume, as narrativas se entrecruzam, os exemplos do passado servem diretamente para construir – ou destruir – os fatos do presente. Como novidade da temporada passada, uma nova linha – no futuro – foi introduzida, na qual o personagem de Rebecca deve ter total protagonismo.

 

ALERTA DE SPOILER

 

O mais legal em “This Is Us” é que ela é uma história sem vilões. Todos os personagens cometem erros, mas têm virtudes. Este é o caso da briga – aparentemente decisiva, definitiva e irreversível – entre Randall e Kevin (Justin Hartley), que marca o fim da temporada anterior e se perpetua no início da quinta e se insinua para a nova narrativa futura, na qual os irmãos aparecem mais velhos, no leito de morte de Rebecca. Além disso, o novo arco em que Madison (Caitlin Thompson) surge como mãe dos filhos de Kevin, aponta para desdobramentos que ainda parecem nebulosos.

 

Sem dúvida o ponto alto fica para o finalzinho do segundo episódio, no qual são mostrados os fatos anteriores à sequência em que Randall é levado para o Corpo de Bombeiros por William (Jermel Nakia) para ser adotado. Até então, todos pensávamos que o motivo principal para tal ato desesperado era o falecimento de sua companheira, Laurel (Jennifer C. Holmes) no parto, mas o episódio nos mostra que as coisas não aconteceram exatamente assim. Laurel ainda viveu por mais algumas horas, tendo uma overdose, que a teria matado. Diante da chegada dos paramédicos e das tentativas de ressuscitá-la – aparentemente em vão – William leva o bebê para os bombeiros. Só que, nos segundos finais, quando os paramédicos já quase desistiram…sim. Ela abre os olhos.

 

Confesso que tive receio diante de tal fato, uma vez que pode haver uma repetição da história de Randall e William, que marcou as duas primeiras temporadas, culminando com o falecimento deste. Espero – e confio – que os roteiristas terão habilidade para evitar isso.

 

E o fecho de ouro vem com a alfinetada gigantesca no governo trump, materializada pela fala de Beth para Randall (Susan Kelechi), consolando-o diante da tristeza que ele sente após os acontecimentos recentes, ao dizer que as coisas que realmente importam vão ficar e passar no teste do tempo. E as ruins passarão, não durarão para sempre. O mote de que os tempos anormais que vivemos hoje são passageiros é uma das grandes linhas de discurso e narrativa encontrada pelos progressistas para antecipar a derrota do inacreditável governo trumpista nas próximas eleições. Sendo assim, “This Is Us” vem engrossar as fileiras das séries e produções musicais e televisivas que manifestam-se contra o atual ocupante da presidência americana. Bravo.

 

Destaques dos episódios 1 e 2 da 5ª temporada: Sterling K Brown (que ator, a fisionomia do Randall está diferente), Mandy Moore (interpretar uma Rebecca sendo vitimada aos poucos pelo Alzheimer não é para qualquer uma), Caitlin Thompon (eu já achava Madison sensacional, espero que sua promoção ao primeiro time seja duradoura).

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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