Rock In Rio 2019 – Muse

Cobertura especial, direto da Cidade do Rock

 

O Muse é um caso de banda que ficou maior do que devia. Isso não é uma crítica, é apenas uma constatação. Enquanto esteve fazendo música até o período entre “Black Holes And Revelations” (2006) e “The Resistance” (2009), o trio composto por Matt Bellamy, Dominic Howard e Chris Woostenholme, conseguiu criar um misto-quente de influências que iam de Radiohead a Rush, passando por Queen e tudo mais que vinha do grandiloquente rock progressivo/pop de estádio dos anos 1970. Mais ainda: com um apreço sem igual ao que essas bandas fizeram nos anos 1980, quando muita gente, especialmente a crítica, decretou sua morte criativa. O Muse revirou esses cadáveres, pegou o que mais importava e criou uma receita que gerou frutos. Só que, como na vida, isso passou. A partir de “2nd Law”, de 2012, o grupo começou a dar sinais de uma elefantíase criativa e, também como tudo na vida, foi pro espaço.

 

Os fãs certamente discordarão, uma vez que o Muse é uma banda muito popular e querida. O show do Rock In Rio provou mais uma vez a devoção que o trio suscita, apesar de a apresentação de 2013 ter sido muito mais coesa e interessante, há pontos positivos colhidos aqui. O Muse tem cacoetes de banda conceitual, o palco se transforma num cenário que pode ser de “Tron” ou de “Jogador nº1”, com bailarinos, efeitos especiais, tecnologia de loja de 1,99 e mais um apreço irritante pelo uso de pedais de reverb em todos os instrumentos possíveis. Ah, além disso, o Muse é conhecido como simpatizante do playback em seus shows, recurso que também pareceu em uso desta vez.

 

O show teve foco nos trabalhos mais recentes do grupo, com destaque para várias faixas do último álbum, “Simulation Theory”, como “Algorithm”, “The Dark Side”, entre outras e de “Drones”, o penúltimo, que compareceu com “Psycho”, “Dead Inside” e “Mercy”. A boa “Madness”, contida em “2nd Law”, deu as caras no setlist, que também deu espaço para canções queridas do passado, como “Uprising”, “Hysteria”, “Supermassive Black Hole” e o fecho com a inevitável “Knights Of Cydonia”, mostrando como este Muse dos anos 00 era bom e espalhafatoso sem soar tão mecânico e planejado como parece hoje em dia.

 

Talvez este seja o maior problema do Muse: muito conceito, muito estudo, muito mis en scene para pouco conteúdo. Como show, no entanto, é uma boa pedida para quem gosta dessas pirotecnias adolescentes.

 

Setlist

Algorithm
Pressure
(Drill Sergeant)
Psycho
Uprising
Propaganda
Plug In Baby
Pray
The Dark Side
Supermassive Black Hole
Thought Contagion
Hysteria
The 2nd Law: Unsustainable
Dig Down
Stt Intersticial 1
Madness
Mercy
Time Is Running Out
Prelude
Starlight
Stt Intersticial 2
Algorithm
Intersticial 3
Guitar Noise
Metal Medley
Knights Of Cydonia

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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