Rock In Rio 2019 – King Crimson

Cobertura especial, direto da Cidade do Rock

 

Como resenhar um show do King Crimson? É dessas bandas que estão acima da maioria dos críticos, não só por importância histórica, como por relevância artística atemporal. Além disso, confesso que jamais pensei que veria Robert Fripp e sua turma ao vivo, mas, por uma dessas falhas na Matrix, eles foram aterrissar no Rock In Rio 2019, fechando as atrações do Palco Sunset no último dia do festival. Houve uma debandada do público que via a atração anterior, Lulu Santos, o que possibilitou um trânsito livre até quase a grade. E de lá, pessoal, fez-se a magia.

 

Pense: o KC faz música que pede sua atenção. Do contrário, serão só um grupo de pessoas com idade tocando seus instrumentos de forma peculiar. Digo “peculiar” porque o ouvinte médio do Rock In Rio talvez nem desconfie da importância da banda ou, mais francamente, talvez nem faça questão de tal informação. A música pop, especialmente em sua variante atual, demanda rapidez e superficialidade, coisa que Fripp e cia não são capazes de entregar. Sendo assim, num set curto, de pouco mais de uma hora, a banda condensou referências de sua carreira, como se estivesse num showcase, oferecendo uma introdução aos presentes. E, entre o público, muita gente conhecedora do repertório da banda, exultando a cada manobra do trio de bateristas, que se alternava, complementava, fazia o diabo. Ou que vibrava com os fraseados de sax ou flauta, ou clarinete, tirados por Mel Collins. Ou pelo baixo de Tony Levin, ou, mais ainda, pelo controle de vôo exercido pela mente por trás de tudo, Robert Fripp, sentado no fundo do palco, no meio de engenhocas mecânicas saídas de um filme sci-fi dos anos 1970.

 

Com a guitarra base de Jakko Jakszyk, na banda desde 2010 e incumbido de substituir vocais que já foram de Greg Lake, o King Crimson passeou por suas duas fases mais clássicas, a iniciada com sua estreia, “In The Court Of Crimson King”, que cedeu a faixa-título, a profética “21st Century Schizoid Man” e a belíssima “Epitaph” e o período do fim dos anos 1970/80, do qual saíram “Neurotica” e “Indiscpline”, que veio numa versão jazzística com mais ênfase na levada do trio de bateristas e Tony Levin. Além dessas faixas, clássicos da banda como “Starless” e “Red”, fizeram a delícia do público, pequeno, mas fiel.

 

Ao fim do show, já na Sala de Imprensa, um jornalista argentino chega perguntando se o show de Fripp e cia já acabou. Ao saber que sim, ele lamenta: só em 200 anos agora. E é isso aí.

 

Setlist

Drumsons
Neurotica
Red
In The Court Of The Crimson King + Coda
Indiscipline
Epitaph
21st Century Schzoid Man

 

Foto: Adriana Vieira

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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