Pearl Jam – Gigaton

 

 

Gênero: Rock alternativo

Duração: 57 min.
Faixas: 12
Produção: Josh Evans
Gravadora: Monkeywrench/Universal

4 out of 5 stars (4 / 5)

 

Antes de tudo, uma notícia: “Gigaton” não é o disco do Pearl Jam que vai entrar para a história como a obra em que a banda de Seattle deu uma guinada em seu som. Apesar do ótimo single “Dance Of The Clairvoyants”, que surpreendeu fãs e não-fãs do grupo com uma pegada oitentista, que muitos acharam que tinha a ver com Talking Head, o álbum é um trabalho típico de Eddie Vedder, Stone Gossard, Mike McCready, Matt Cameron e Jeff Ament, ou seja, um rockão para espaço aberto, temperado por algumas baladas – acústicas ou não – que servirão para o público fiel dos caras cantar a plenos pulmões nos estádios, quando os shows voltarem. Esta é uma visão simplista de “Gigaton”. Uma audição mais atenta vai mostrar algumas pistas.

 

É bom que se diga: “Gigaton” é um bom disco. Está quase no mesmo nível de trabalhos recentes da banda, especialmente “Backspacer”, de 2009 e “Pearl Jam”, de 2006. Estes foram álbuns de boas canções que passaram meio batidas em meio ao protocolo de valorização dos velhos hits da banda pelos fãs e pelo senso comum. Para muitos, o PJ continua sendo apenas o grupo que fez “Ten” lá há quase 30 anos e nada mais. Esta gente deveria se abster de comentar sobre o trabalho dos sujeitos, uma vez que poucos grupos são tão ativos. Este é o 11º disco de uma carreira regular, ainda que, sim, tenha vivido seu auge há bastante tempo. Mesmo assim, é possível encontrar boas canções em quase todos os lançamentos do Pearl Jam. “Gigaton” não foge a esta regra.

 

O já mencionado single “Dance Of The Clairvoyants” é a melhor canção dentre as doze faixas de “Gigaton”. Não tem qualquer concorrente próxima, apontando que Vedder e cia. teriam um ótimo futuro se desejassem, de fato, meter os peitos numa onda de transformação musical. Mesmo assim, o simples lançamento desta faixa como single, causando todo o burburinho que vimos, mostra que não devemos subestimar este desejo por parte deles. Sintomaticamente, os melhores momentos do álbum são os três singles lançados, além de “Dance”, as boa “Who Ever Said” e a ótima “Superblood Wolfmoon”, que mexem com as características principais do som habitual do grupo e dão uma esticada nesses parâmetros.

 

Outras três faixas chamam a atenção: “Quick Escape”, que mostra uma variação levemente próxima do que o Stone Temple Pilots fazia lá por 1995/96, mantendo o clima pós-grunge; a já clássica “Take The Long Way”, nervosa e guitarrística como bons exemplos do passado; “Never Destination” outro rockão grandiloquente e acelerado. Além delas, se você é um fã “arejado” do grupo, poderá se impressionar positivamente com o uso de teclados e climas, especialmente em “Seven O’Clock”, balada neurótica e cheia de pontuações esparsas aqui e ali. A faixa de encerramento, “River Cross”, também é assim, lenta, quase épica, pode ser a maior variação do estilo “balada do Pearl Jam” em muito tempo. E é legal.

 

“Gigaton” talvez tenha esta vontade subentendida da banda em ousar caminhar por novos terrenos sonoros. Pena que isso ficou tão obscuro no resultado final do álbum, mas, se há um mérito indiscutível em seu lançamento, certamente é a volta do grupo ao círculo de novidades e expectativas do rock, algo que não acontecia desde, sei lá, nem lembro mais.

 

Ouça primeiro: “Dance Of The Clairvoyants”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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