Keith Flint (1969-2019)

Uma das sonoridades marcantes da década de 1990 foi a música eletrônica. Talvez esta tenha sido a década mais pródiga em variedade e talento. A partir da Inglaterra, que dava vazão e amplificava a cultura das raves, várias bandas, duplas e artistas solo surgiram com propostas diferentes e instigantes. Dentre estes, certamente o Prodigy foi um dos mais marcantes. E, dentro do próprio Prodigy, a figura punk apocalíptica de Keith Flint, uma espécie de atualização cyber de Johnny Rotten, surgiu como marca registrada da banda.

O Prodigy surgiu em Essex, 1990. A figura pensante e criativa por trás da ideia do grupo é Liam Howlett, DJ, tecladista e sujeito com sensibilidade musical suficiente para entender a importância da música negra dentro daquele ambiente efevescente de artistas eletrônicos. Sua banda teria força a partir da mistura decorrente de sua visão de DJ e da interação entre os vocalistas da banda: Maxim e Keith Flint, que era dançarino e foi promovido a frontman.

O maior êxito do Prodigy foi “The Fat Of The Land”, terceiro álbum do grupo, lançado em 1997. A partir dele vieram singles e clipes inesquecíveis: “Smack My Bitch Up”, “Breathe”, “Fuel My Fire” (cover do grupo americano L7) e “Firestarter”, que tomou de assalto paradas de sucesso ao redor do mundo e chegou a ganhar versões de Sepultura e do mitológico baixista do Kiss, Gene Simmons.

O Prodigy manteve-se em atividade ao longo dos anos. Seu último disco foi ‘No Tourists”, do ano passado. Keith Flint conciliava sua atividade na banda com uma carreira de motociclista e dono de equipe. Em 2014 ele chegou a comprar e dirigir um pub em Essex, sua cidade natal.

Em 2015 ele declarou em entrevista: “Nós somos perigosos. O problema no pop de hoje é que ninguém quer ser perigoso”.

Sua morte ainda permanece misteriosa e há a suspeita de suicídio. De qualquer forma, Keith ainda tinha muito a mostrar à frente do Prodigy. Ele tinha 49 anos.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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