Manaus elegeu bolsonaro em 2018

 

 

O colapso respiratório em Manaus é mais uma dessas notícias inacreditáveis que jamais imaginamos ver. Uma capital com sistema de saúde insuficiente diante do número crescentes de pessoas com covid-19, não tem mais condições de dar conta dos que já estão internados.

 

Há meses os especialistas surgem na TV dando conta dos riscos das aglomerações em plena pandemia. Seria fácil culpar a população, afinal de contas, as pessoas se aglomeram e ignoram a gravidade da situação, porém, isso é como culpar o pedestre pelo atropelamento. Culpar o mais fraco e vulnerável por algo que possa lhe causar dano fatal. É mais justo responsabilizar o inacreditável governo federal brasileiro, o governo estadual do Amazonas e a prefeitura de Manaus, todos unidos em torno da uma política de risco extremo à vida das pessoas.

 

Os relatos dão conta de unidades de saúde fechando as portas, hospitais racionando oxigênio, médicos impotentes, ou seja, cenas de terror, daquelas que só surgem em filmes na TV ou em guerras, conflitos armados, em que não há a presença formal da sociedade, do governo, enfim, do estado.

 

O que acontece em Manaus é reflexo direto da maneira como a doença é tratada pelo governo federal, ou seja, de forma nenhuma. É um grande caos gerencial, com pessoas ineptas por todos os cantos, especialmente o general que ocupa a pasta da Saúde, eduardo pazuello, que surge na TV sem qualquer cerimônia ao dizer que “não há nada a fazer até chegar mais oxigênio”, com uma frieza impressionante. É descendente direto da declaração do ocupante da presidência meses atrás, quando disse “que não era coveiro” para cuidar das mortes por conta da pandemia.

 

É bom lembrar que, tristemente, Manaus votou em peso em bolsonaro. No primeiro turno das eleições de 2018, ele obteve mais de 57% dos votos válidos. No segundo turno esse número saltou para 65%.

 

Quantos eleitores dele terão pago com a vida por esta escolha?

+1

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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