Green Leaf Rustlers – From Within Marin

 

 

 

 

Gênero: Rock, country

Duração: 64 min.
Faixas: 10
Produção: Chris Robinson
Gravadora: Silver Arrow

4.5 out of 5 stars (4,5 / 5)

 

Escale o seguinte time: Chris Robinson (dispensa apresentações) e Greg Loiacono nas guitarras e vocais; Barry Sless na guitarra e pedal steel (David Nelson Band e Flying Other Brothers); Pete Sears no baixo (Hot Tuna e David Nelson Band) e John Molo na bateria (Bruce Hornsby). Depois pegue um feixe de dez standards do country’n’rock’n’blues anglo-americano dos últimos 50/60 anos. Gente como Rolling Stones, Gram Parsons, JJ Cale, entre outros. Coloque essa galera, com essas canções, num palco e deixe-os burilar e criar. O resultado é tão feliz, amoroso e gentil que “From Within Marin”, estreia deste novo projeto de Chris Robinson, é quase um presente de amigo de fé, irmão camarada. Quase não, é. É como se a gente recebesse pelo correio depois de anos ou pessoalmente, com um abraço, um aperto de mão. É afeto puro.

 

A ideia – e isso é coisa de amigo mesmo – é oferecer a chance de escapar da correria deste mundo atual. E como? Com uma passagem só de ida para o norte californiano daqueles tempos, não necessariamente o território, mas o estado de espírito. Até há a importante região de Marin County, no norte do estado, lar de gente importante e afim como o Grateful Dead, mas a ideia é o mais importante. Amor livre, desconexão com o sistema, inspiração vinda das montanhas, bandas de folk rock, country blue pululando aqui e ali. A gente sabe de Chris Robinson é um dos mais competentes bichos-grilo da música mundial e ele nunca decepciona. Não há sua assinatura sob um álbum ruim, nem nos Black Crows, no Chris Robinson Brotherhood, tampouco solo. E não haveria de ser diferente.

 

Gravado ao vivo no Sweetwater Music Hall, este “From Within Marin” oferece um passeio por este clima, este estado de espírito e estabelece paradas para o ouvinte/espectador. O ambiente é plácido, elástico, com espaço para improvisos e solos, mas sem perder de vista a noção. A abertura com “Big Mouth Blues”, de Gram Parsons, já apresenta as intenções num groove malandro, seco e matreiro, que abre a nossa mente para o que vem. Daí em diante, o ouvinte estará diante de um banquete.

 

Versões sensacionais de “No Expectations” (Rolling Stones) e de “Folsom Prison” (Johnny Cash), convivem harmoniosamente com canções “parecidas mas diferentes”, caso de “Positively 4th Street”, pequeno manifesto cultural e social de Bob Dylan. E ainda tem “Ride Me High”, de JJ Cale e um monte de outras belezuras. É uma espécie de manual de canções do cowboy cósmico contemporâneo, como se isso fosse possível. Vai ver, é.

 

O som é puro e límpido. A versão de “Folsom Prison”, com uma introdução que vai do reggae para o country mais rápido do que você pensa, é um dos momentos mais legais que eu ouço em muito tempo, perfazendo pouco menos de quatorze minutos de lindeza. E, a poucos instantes do fim, “Ramblin’ Man”, dos Allman Brothers, mostra que tudo está no seu devido lugar.

Como eu disse: é um abraço de amigo quando mais se precisa.

 

Ouça primeiro: tudo

 

0

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *