Governo Inimigo do Brasil

 

 

A gente costuma usar este termo aí do título em meio a debates políticos acalorados. “Fulano de tal é inimigo do Brasil!”. “O partido de vossa excelência é inimigo do Brasil!”. Dá pra ver o velho e saudoso Leonel Brizola falando isso para seus desafetos. O atual governo brasileiro, eleito por 57 milhões de pessoas, com a conivência de outros tantos milhões e com notícias manipuladas e sob a vista grossa da mídia hegemônica, é inimigo do Brasil. De fato. Foi preciso uma terrível pandemia para que muita gente despertasse para esta realidade, tal e qual Keanu Reeves em “Matrix”.

 

Até ontem, havia o seguinte panorama: apesar da covid-19 avançando a passos largos sobre o país, o ocupante da presidência insistia em desmerecer a gravidade da situação, novamente dizendo que a doença “era só uma gripezinha”. A seu lado – e encorajados por sua postura – uma horda de empresários genocidas, que, não só defendiam a suspensão das medidas preventivas do Ministério da Saúde, como se arvoraram a sair em carreatas por algumas cidades do país, pedindo o fim da quarentena, a bordo de seus carrões importados. Segundo registros da imprensa, muita gente reagiu negativamente a esse movimento inacreditável. Além disso, chegou a notícia de que o governo teria gasto 5 milhões de reais em uma campanha publicitária, cujo slogan era “O Brasil Não Pode Parar”.

 

Tal fato repete o movimento da Itália, um dos países mais afetados pelo coronavírus, que hesitou em tomar medidas de contenção e isolamento social, resultando num desastre sem paralelos na história recente daquele país. Apesar disso, de todo o conhecimento que já temos sobre a doença e dos esforços surpreendentes dos governadores e prefeitos do país, o atual ocupante da presidência insistia com sua ladaínha criminosa. Hoje acordamos com a proibição via liminar da tal campanha publicitária, deixando o governo federal desarticulado.

 

O que temos é bem simples. Além das questões inacreditáveis de economia x vida humana, temos um presidente que não está se importando com a saúde das pessoas. Ou melhor, está se preocupando com o dinheiro antes da saúde das pessoas. E não é com a subsistência dos mais pobres, é com a manutenção do fluxo de dinheiro para os mais ricos, os mesmos empresários em carrões de luxo. Ele fala como se a economia estivesse em seus áureos tempos nos anos 2000, e não como se fosse o responsável direto por políticas de arroxo que levaram o Brasil a um de seus piores momentos na economia. Fala como se seu ministro da Economia, paulo guedes, não fosse o responsável por uma liquidação de patrimônio público como jamais se viu, esvaindo nossas riquezas estratégicas.

 

Ficou evidente que o atual ocupante da presidência é inimigo dos mais pobres e, entre eles, de vários de seus eleitores. Ele não se preocupa com a saúde dessa gente. Ele, que foi se entocar num hospital por conta de uma facada que nunca foi explicada, convalescendo e fazendo tratamento a ponto de não comparecer a compromissos de campanha, deveria saber o valor que a saúde tem para as pessoas. Mas não. Este monstro é um líder mundial do atraso, uma referência negativa em termos de empatia, que não entrega nada de positivo para ninguém e que está destruindo o Brasil em vários níveis. Sua presença em posição de protagonismo político é a senha para que vários idiotas como ele se sintam encorajados a se manifestar, distribuindo palavras de ódio e atraso por onde vão.

 

Este governo é inimigo dos pobres, mas também é inimigo da própria ideia de Brasil, da própria ideia de país, sociedade, fraternidade, cooperação. Ele tenta transformar o Brasil numa … milícia, em que o governo não é governo, o estado não é estado e o povo é apenas submetido pelo medo, isto é, apenas os sobreviventes.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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