Festival Pelas Bandas da Uerj – Música Alternativa na Universidade Pública

 

Não precisa muito esforço pra lembrar: a Uerj, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, aparece com frequência no noticiário, quase sempre com enfoque negativo. Mesmo que ela contenha milhares de alunos e servidores que a amam, defendem e a tornam viável em meio a um período particularmente difícil da nossa história, a Uerj resiste. E existe.

 

Confesso que sou suspeito para escrever com isenção sobre ela. É minha primeira casa acadêmica, onde aprendi as noções de jornalismo cultural que tento por em prática aqui na Célula Pop. Não foi fácil passar pra lá, fiz amigos queridos naqueles corredores e sinto saudades de muitas coisas. Por essas e outras, ver a Uerj como epicentro de uma campanha de descrédito do ensino superior público me embrulha o estômago e revolta a alma. Como eu disse, há muita gente por lá com ideias sensacionais, que saem do papel na medida do possível. Uma delas é o Festival Pelas Bandas da Uerj, que está em sua primeira edição.

 

Novamente confesso: sou ainda mais suspeito para falar do assunto. Há o programa Pelas Bandas da Uerj, que é veiculado na Rádio Uerj quinzenalmente e faço parte dele, ao lado do meu amigo-colega de Uerj, Ricardo Benevides. Além de nós, toda uma equipe de pessoas sensacionais ajuda a colocá-lo no ar e a ideia é bem simples: receber artistas independentes para uma conversa de 20 e poucos minutos, na qual fazemos perguntas e veiculamos três canções. Depois do programa ser exibido – e colocado em podcast no site da Rádio – essas canções entram na programação fixa. É uma ação de guerrilha contra o sistemão e tudo é feito na base do amor e da amizade, se é que me entendem. E com este mesmo espírito, veio à tona a ideia de fazer um Festival com artistas independentes. Regras definidas, edital publicado, material de muitos artistas foram enviados e selecionados. Após ouvirmos e avaliarmos, decidimos colocar TREZE semifinalistas, que se enfrentarão voto a voto via pleito popular. Nada mais justo e democrático, certo?

 

Desta forma, a duras penas, o Primeiro Festival Pelas Bandas da Uerj está no ar. No próximo dia 26 de setembro, a Concha Acústica Marielle Franco receberá um show especial com três atrações. Manoel Magalhães, Alan James e Los Djangos se apresentarão. Antes deles, abrindo os trabalhos, o grande vencedor do Festival dará a partida na noite. Além desta chance de se apresentar na Concha, o vencedor ganhará um clipe a ser produzido pelo CTE-Uerj, o Centro Técnico Educacional. Sabemos o quanto este tipo de incentivo ajuda quem está começando e todos os profissionais envolvidos estão felizes com a ideia e o passar dos dias.

 

A ideia deste texto é apresentar ao leitor da Célula Pop os treze escolhidos e convidá-lo a votar e aparecer no dia 26 de setembro. Vai ser uma festa sensacional, feita por quem realmente quer estar presente num festival universitário de música. Convenhamos: em tempos de ataque ao ensino público de terceiro grau, a Uerj, alvo primordial de governantes interessados no emburrecimento da população, joga por música, como diria o jargão do jornalismo esportivo. Bora conhecer as bandas e artistas?

 

Aqui está o link para a página do Festival, que também recebe os votos populares. Ouça três músicas de cada artista abaixo e escolha o seu preferido.

http://www.pelasbandasdauerj.uerj.br/

 

 

Beto Larubia

Cantor, compositor e multinstrumentista do subúrbio carioca, tocou com o grupo Colombia Coffee, durante a turnê nacional de divulgação dos primeiros trabalhos do quarteto com a gravadora Deckdisc.

Em 2017, iniciou carreira solo com “Febril”, seu primeiro álbum. O lançamento foi assinado pelo selo Garimpo, da página Brasileiríssimos com download gratuito, edição física artesanal e distribuição nas principais plataformas musicais disponíveis.

Gravou um clipe da faixa-título do álbum, mostrando toda potência e diversidade de jovens artistas da favela da Maré. Abriu show da artista Ana Muller com participação do cantor Rubel.

 

 

 

Calvano e os Tatuis

 

Com um som despojado e autêntico, Calvano e os Tatuís honra o nome que leva no trabalho de estreia: sabor brasileiro e tempero de maresia. Nos arranjos, sopros, guitarras, tambores e demais elementos percussivos conversam em sintonia com beats, produzindo faixas modernas, regionais e dançantes que remetem imediatamente a um cenário praiano.

Seja no encontro tão comum dos coletivos urbanos de “Brilho de um Colibri”, seja na percepção da consciência coletiva que surge na juventude de “Canção do Progresso”, no convite para fugir da cidade e viver uma vida mais simples de “Vamos para Paraty”, ou na crítica a mais um processo de higienização no Rio de Janeiro de “Acabaram com o Maracanã”, a sinergia entre letra, ritmo e melodia aparece como principal característica do grupo.

 

 

 

Concreto Armado

A partir do uso do Rock’n Roll como atitude, a Concreto Armado é uma banda autoral e independente de Niterói/São Gonçalo-RJ. Influenciada pelo ritmo do rap, distorção do heavy metal e a levada do funk, a Concreto Armado busca se comunicar com letras que abordam o cotidiano sensível, minado de opressões e contradições.

 

 

 

Continue

 

A Continue surgiu em 2017 em São Bernardo do Campo, vindo na contramão do que está acontecendo hoje. Com as casas de shows fechando, bandas importantes do cenário acabando o objetivo da Continue é manter acesa a história do rock nacional.

A música autoral é o principal método de trabalho, esse é objetivo dos integrantes que juntos se dedicam e trabalham muito realizando todas as composições da banda.

 

 

 

DNA Baixada

 

Em 2017 o projeto musical foi formado por Ualax, que teve a ideia de trazer representatividade, expressão, autoestima e resistência de negros e negras da região, convocando assim, o músico Hudson Luz, e Lorac Lopez. No fim de 2018, a integrante Afrodite passou a fazer parte da formação original da DNA.

Com ritmos como Rap, Reggae, R&B, Soul, e influências da MPB, o grupo em 2018 fez apresentações, já com suas músicas autorais em Rodas Culturais como a Roda Cultural da Praça do Skate (São João de Meriti), Sarau 171 (Madureira), Teatro Municipal Café Pequeno(Leblon), Saraus como ‘Os da Lama’ (Coelho da Rocha) e Rap Free Jazz, do Coletivo FALA em (Duque de Caxias)

O grupo segue na finalização do seu primeiro disco, pelo selo independente Katana Records, sob produção de Ualax, e direção de Hudson Luz.

 

 

 

Gustavo Gouvêa

O artista Gustavo Gouvêa é cantor e compositor (violão, voz e teclado) e tem canções delicadas, que percorrem o caminho do folk contemporâneo. Ainda que sejam modernas, as canções têm influência de gente como Nick Drake e Elliott Smith.

 

 

 

Laranjeletric

 

Com origem em 2010 no Rio de Janeiro, a Laranjeletric desenvolve um som que caminha do blues ao funk, passando pelo soul, com canções autorais. Fortemente influenciada pela música negra, a banda finca seus pés no Blues para compor seu repertório.

O recente lançamento do álbum homônimo “Laranjeletric” que tem a produção musical assinada pelos próprios músicos, gravado e mixado por Daniel Cheese, contou com participações do gaitista Jefferson Gonçalves; do saxofonista Glaucus Linx; e de Otávio Rocha, guitarrista do Blues Etílicos.

Do começo para cá, a Laranjeletric tem chamado atenção no cenário carioca do blues e recebido convites para atuar nas casas mais importantes que recebem o gênero na cidade, além do Festival de Blues do Porto; Projeto Som Da Cidade; Mississipi Delta Blues Festival (RS e RJ), Aldeia Rock festival, Rio das Ostras Jazz e Blues Festival, Tudo Blues, e no Palco do Teatro Rival-BR, em uma noite de homenagens à Celso Blues Boy e abrindo para o show do Blues Etílicos.

 

 

 

Malize

Cantor, compositor carioca, estuda música na UniRio. Já realizou shows no Centro da Música Carioca Artur da Távola, no Parque das Ruinas e na Rock Experience/Lapa. Venceu o 1º Festival de Música Marista e participou do Playing For Change Day; Mobilização Cultural de Mangaratiba; Rio Music Week; 101 Anos Grajaú Boulevard Rio Shopping; Bier Festival; Festival Confraria dos Barbas; Festival Wood´sTruck; Festa Alemã.

 

 

 

Mushgroom

 

A Mushgroom propõe misturar Soul, Acid Jazz, Pop e Rock.

 

No ano de lançamento do seu primeiro álbum “Six Senses” o grupo já coleciona conquistas. Além de vencer o 1º Festival de Rock do Buxixo Bar, em Mogi das Cruzes e abrir o show da Scalene em sua cidade natal, a Mushgroom venceu uma votação de nível nacional para abrir o Buzina Festival e dividiu o palco com Fresno, Supercombo, Gloria e muitas outras bandas de destaque.

 

 

 

O Grito

O Grito é um “power trio” de Rock formado no Rio de Janeiro em abril de 2015. Composto por Edu Raddi (bateria e vocal), Pedro Canuto (Vocal principal e Guitarra) e Bernardo Queiroz (baixo e vocal).

Do rock à MPB, do Clássico ao moderno. O grande objetivo é trazer vida ao cenário musical brasileiro com composições autorais. Valorizando as letras e musicalidade e buscando sempre integrar e influenciar a cena
independente.

 

 

 

Rennato Cinelli e os Unicórnios Leguminosos

 

Rennato Cinelli e os Unicórnios Leguminosos é uma banda pop performática que se utiliza da linguagem do cabaré.

Satirizando e parodiando artistas da cena pop, nacional e internacional, a partir de músicas autorais e versões cover. Além disso, a banda propõe a integração entre a linguagem cênica e a linguagem musical, proporcionando uma experiência artística original e híbrida.

Esteticamente as músicas tem elementos do humor da Tropicália e de bandas do cenário brasileiro como Mamonas Assassinas, Blitz, Clarice Falcão, Banda Uó e Zéu Brito.

 

 

 

 

Tito Santana

 

Desde pequeno, Tito teve muito contato com todo o tipo de som. Seu pai colocava álbuns de blues e jazz para tocar, além de dedilhar um pouco de violão para ele. Com o passar do tempo foi tomando gosto por soul e rock. Tempos depois redescobriria a paixão pela MPB, estilo que escuta desde criança.

Aos 12 anos, resolveu pegar o violão de seu irmão e aprender a tocar. Na época, queria formar um grupo vocal que também tocasse, mas só lhe restava o instrumento de corda para aprender. Foi quando pediu que seu pai lhe ensinasse alguns acordes e desde então não parou mais de se aventurar.

Atualmente se aventura no cenário eletroacústico, com músicas autorais. Busca uma vertente própria, tomando por base suas influências na MPB, no Jazz, Blues, Rock, Folk, Samba e Bossa.

 

 

 

 

Vittória Braun e Rafael Lorga

 

O encontro da paraense Vittória Braun (voz) e do carioca Rafael Lorga (voz e violão), revela um universo musical que transita entre a beleza caótica da cidade do Rio de Janeiro e as águas barrentas do Rio Guamá.

O trabalho traz canções inéditas de autoria do duo e conta também com a produção e sonoridade do baiano Pedro Itan. Pedro já trabalhou como músico e produtor com Larissa Luz. Vittória é atriz e cantora, gravou seu primeiro EP em 2015 com produção de Cyz (PE). Lorga é integrante-fundador da banda Pietá e acompanha o músico Claudio Nucci desde 2007.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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