bolsonaro x ONU

 

 

O atual ocupante da presidência da república esteve discursando na ONU hoje. É uma tradição diplomática o presidente brasileiro abrir as sessões da Assembleia Geral da Organização. E, como é de costume recente, ele ofereceu alguns drops de surrealismo mal intencionado. De dadaísmo deliberado, de outros paradoxos que misturam má fé e ausência de noção.

– A Amazônia não queima porque é úmida.

 

– Se a Amazônia queima, é porque os índios e caboclos ateiam fogo na mata.

 

– O auxílio emergencial dado por seu governo aos mais necessitados foi de mil reais, EM MÉDIA.

 

Eu sou doutorando de História. Nunca o Brasil viveu uma crise como essa. Não é só um antagonista político em relação às ideias mais progressistas e inclusivas. É uma pessoa que está no posto mais alto da administração federal com o firme propósito de negar o seu alinhamento com a verdade e com o bem comum da nação. Já tivemos governantes temerários e que prejudicaram muito a vida de milhões de brasileiros mais pobres, mas não me lembro/desconheço algum que tenha comandado a sucessão terrível de absurdos que este governo propõe. E não me lembro de alguém tão desvinculado de uma polidez mínima, de uma postura mais ou menos respeitável. É como se fôssemos governados por um ser abissal, alguém que fosse de uma nação inimiga, cujos interesses representassem o oposto dos nossos.

 

Como dizia Cazuza: “meus inimigos estão no poder”. É por aí.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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