Bacamarte – 3º CaRIOca Prog Festival

 

Teatro Municipal João Caetano, Niterói, 25 de outubro de 2019

 

O Bacamarte é um caso de discretíssima lenda do rock progressivo nacional, que anda e vive entre nós, mortais. Criado nos anos 1970 pelo guitarrista Mário Neto, o grupo gravou um mitológico álbum em 1979, chamado “Depois do Fim”. Só foi lança-lo quatro anos depois, num momento em que algumas faixas do disco já estavam na programação da Fluminense FM, o que gerou um culto em torno da banda. Com o tempo, “Depois do Fim” ganhou prestígio e fama internacionais, sendo muito bem cotado em sites e publicações sobre rock progressivo. Dá pra dizer que o Bacamarte não deve absolutamente nada a gente mais conhecida como Mutantes, Terço ou Som Nosso de Cada Dia.

 

Com esta história e legado, o grupo encerrou as apresentações do CaRIOca Prog Festival, evento que durou mais de mês, trazendo grupos de várias partes do país para palcos no Rio e em Niterói. Quis o destino que o Bacamarte tivesse a felicidade de se apresentar no belíssimo Teatro Municipal João Caetano, mais conhecido como Teatro Municipal de Niterói, uma das casas mais belas do estado do Rio e, provavelmente, do Brasil. Além de lindo, o Teatro tem acústica perfeita, o que favorece este tipo de apresentação, na qual a precisão e os detalhes fazem muita diferença.

 

O Bacamarte subiu ao palco com três integrantes originais. Além de Neto, estão na banda Marcus Moura (flautas e acordeon) e William Murray (baixo), além do tecladista Robério Molinari e do excelente baterista Alex Curi. Também estava presente Jane Duboc, que participou de algumas canções de “Depois do Fim”, e se apresenta com a banda desde que esta retomou a rotina de shows, em 2012.

 

O clima de festa e celebração conferiu uma aura especial à apresentação da banda, que atacou seu repertório com leveza e precisão. Canções como “Smog Alado”, “Depois do Fim”, “Último Entardecer”, “Pássaro de Luz”, entre outras, surgiram em versões íntegras e emocionais. Mario Neto, visivelmente emocionado pela presença do público e pela calorosa recepção, brindou a audiência com uma raríssima apresentação de “Canção Filosofal”, composta por ele e por outro fundador da banda, Sérgio Villarim, pedindo compreensão para o público em caso dele se emocionar demais. Ainda que não seja um cantor, Mário entregou uma performance totalmente aceitável dentro do contexto de festa. Assim como a participação de Jane – cuja voz não estava no melhor momento – também passou batida. Neto ainda executou um arranjo especial para uma suite de quatro movimentos sobre as fases da lua, composta para o violão, que reafirmou seu talento como um dos mais líricos guitarristas brasileiros.

 

Para o bis a banda recebeu no palco a cantora Gabby Vessoni, da ótima banda Fleesh, que cantou uma versão bem mais forte de “Pássaro de Luz”, executada anteriormente com Jane nos vocais. Ao fim do show, depois de uma longa salva de palmas, o Bacamarte reafirmou sua importância para o rock progressivo brasileiro e consagrou a iniciativa bacana e corajosa do CaRIOca Prog Festival. Que venham muitos outros.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

One thought on “Bacamarte – 3º CaRIOca Prog Festival

  • 27 de outubro de 2019 em 10:59
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    Gabby Vessoni, excelente cantora com futuro muito promissor.

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