Artur Nabeth – Mitos

 

 

Gênero: Rock alternativo

Duração: 33 min.
Faixas: 10
Produção: Artur Nabeth
Gravadora: Independente/Tratore

4 out of 5 stars (4 / 5)

 

 

Com elementos de rock, soul, jazz e música brasileira, Artur Nabeth lança seu primeiro trabalho solo, “Mitos”. São dez faixas muito bem produzidas que transitam entre estilos musicais diferentes deixando o ouvinte com aquela vontade de batucar o abridor na tampa da garrafa. Totalmente independente, “Mitos” já começa acertando com a faixa “Tiradentes”, um indie pop que convida a andar pelos becos e ilusão que são as relações, tem piano, tem guitarra embaladinha, tem o brilho que me pegou na primeira frase.

 

Arrasta a mão do meu sono

Eu quero dormir

Beber mentiras no copo até cair

E me esgueirar pelas ruas que já não existem mais”

 

 

A faixa que dá nome ao disco vem na sequência, começa com trompete rasgando a pele. Esse mesmo trompete traz o som sofisticado, criando uma aura especial, a faixa vai conduzindo a história, vai crescendo até chegar no refrão. Me senti diante de uma mesa de sinuca, vendo a fumaça do cigarro subir. Faixa para cantar junto e conta com um videoclipe sensacional, vale.

 

Me salva agora, me leva embora

Vem ser o chão que vai sustentar

A nossa casa

Me abre as asas

O nosso tom

É o sol maior.

 

 

E é com muito sol mesmo que Artur leva o ouvinte pra rua, pra cantar na Lapa tomando cachaça na terceira música do disco. Um samba indie com gosto de caldo de cana é “A Rua”. Eu amo letras de relações, fato, mas essa chega a ser divertida, pois é alguém que amará eternamente, mas precisa daquele espaço do lúdico, da perna pro ar, daquela risada alta no bar, aquela coisa de carioca que eu adoro. Trombone, trompete e sax dão aquele climão que eu aposto que farão uma dancinha, nem que seja com os ombros, uma dancinha de quem ouve pela primeira vez “16 Toneladas”.

 

E como uma volta ao pop, Mitos segue com faixas cantantes, iluminadas, apesar das temáticas de azar no amor, indecisões, dos sonhos de uma vida menos complicada, com tylenol sendo servido no café da manhã. E Artur sabe fazer isso, colocando brilho nesses cantos escuros e doloridos. “Pra Recomeçar” percorre os mares que a vida oferece e nos convida a mergulhar. “Cadente” segue esse mesmo estilo e com uma batida suave e bem marcada, como a areia da praia ao entardecer.

 

“Mitos” tem uma sonoridade cheia, com detalhes que me fizeram querer ouvir diversas vezes a mesma faixa. Se for para eu elencar algumas coisas que me vieram à mente ao ouvir este trabalho totalmente independente eu responderei Lítera, Los Hermanos e Transmissor.

 

Na sequência vem “Malba Tahan”, faixa que tem como título o pseudônimo do escritor brasileiro Julio Cesar de Mello e Sousa, um pop rock dançante com guitarras mais pesadas. Colando com essa faixa, pianos dão o tom de despedida em “Castelo de Cartas”, que é uma bela canção sobre o fim. Quando a gente só queria poder entender as nossas ambivalências que definem as dúvidas do ir ou ficar. O choro de alívio e o coro do tirar parte do outro que fica dentro de cada um que ama. Ver o castelo cair com o sopro de um suspiro requer algumas garrafas de gin para navegar em um mar, naufragar, afogar e respirar fundo quando a maré de lágrimas salgadas baixar.

 

Relações são sempre bons temas para compor, já que somos feitos delas. Em “Dois Náufragos” o artista dá a dimensão do que é o fim das relações, quando ambos já navegam por outros mares. Nesta faixa eu senti falta apenas da clareza da voz, mas entendo também que quando estamos em queda livre, fica difícil impedir que o vento sopre mais alto que nossas vozes. E de imediato o piano de “Mágica”, à moda “Mr. Blue Sky”, nos envolve em um universo de diversão, um picadeiro de amores e frustrações.

 

Hoje eu vendo a alma numa fábrica

Num bar

E quebrado eu canto

Até o sol nascer

Todo recomeço é uma fábula de azar

Tanta sede é o medo de deixar a vida passar

Até o carnaval, espera a quarta pra acabar

 

Em um pouco mais de 33 minutos, Artur Nabeth passeia por gêneros, instrumentos diversos e por tudo que rola dentro dos corações. Gravado em praticamente 3 dias, Mitos é um disco equilibrado, bem trabalhado e deixou gosto de “quero mais disso daí”.

 

Ouça primeiro: A Rua e Mitos.

 

 

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Ariana de Oliveira

Ariana de Oliveira é canhota de esquerda, Cientista Social, estudante de Jornalismo e comunicadora da Rádio Univates FM. Sobre preferências: vai dos clássicos aos alternativos.

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