Analisando o Lollapalooza 2019

Crédito: IHF Martini

 

Célula Pop não estará in loco no Lollapalooza 2019, mas o site fará uma cobertura simpática e sincera, direto do sofá de seu QG, na Cidade Sorriso, também conhecida como Niterói. Ali, devidamente instalado e munido de moderadas guloseimas e boa vontade, eu estarei analisando as atrações e seus shows, levando em conta que, claro, o que vemos na TV não é nada se comparado com a experiência ao vivo. Porém, sabemos bem que dá, sim, pra perceber se um show está bom, ruim, ótimo ou péssimo via TV e, com base nisso, iremos tecer comentários e fazer nossa cobertura. Como você já notou, Célula Pop não tem muito compromisso com ninguém além de você, que o lê. Sendo assim, o que será publicado será de acordo com o que surgirá na tela e nas caixas de som. Porque, simplesmente, tá tudo muito caro pra gente sair investindo – como gostam de dizer hoje em dia – o nosso suado dinheirinho em shows e eles serem modorrentos e menos que inesquecíveis. Pode contar com a gente.

Dito isso, antes dos shows, vamos fazer umas apostas a partir da escalação do Lolla 2019? Acho que podemos eleger favoritos e preparar nossos espíritos para este ou aquele show, que deve ser sensacional. Também podemos nos encher de paciência para aquela apresentação que vai testar nossa resistência como seres humanos e nos fazer provar o amor pela banda ou artista que virá depois. Deixaremos o Palco Perry de lado, uma vez que as atrações eletrônicas escolhidas para lá, além do próprio clima do lugar, não configuram exatamente o mesmo que ir a um show num espaço aberto. Sendo assim, o que podemos esperar das atrações do Lolla 2019? A regra do festival é simples: Três palcos se revezam em shows, com o horário de algumas atrações se sobrepondo ao das outras. Neste caso, indicaremos qual a mais interessante entre elas.

 

 

Dia 05 de abril – sexta-feira

Brvnks/Molho Negro (sobreposição) – Entre assistir o show da cantora goiana Bruna Guimarães – a tal Brvnks – e o trio paraense Molho Negro, eu recomendo expressamente que você fique sentado na grama, esperando o festival começar de fato.

 

Autoramas – agora, sim, o festival começou. Autoramas é garantia de dedicação, bom show e felicidade rock’n’roll. Não tem muita complicação, é tudo na base do 1,2,3,4 e vambora.

 

Scalene/The Fever 333 (sobreposição) – Scalene você já conhece, é aquela banda de Brasília que tocou no Superstar global. A The Fever 333 fala em zeitgeist, brutalidade, influências de Body Count e diz que nasceu na mesma rua que Kendrick Lamar e Dr. Dre. Melhor economizar energias para mais tarde.

 

Portugal The Man – é uma banda que está em mutação. Tem um hit mundial – Feel It Still – que tocou o último álbum adiante, mas, este mesmo disco – Woodstock – não era lá essas coisas. Show deve ser qualquer nota.

 

Foals/Troye Sivan (sobreposição) – entre os ingleses do Foals e o cantor e YOUTUBER SULAFRICANO, recomendo fortemente correr para o primeiro. Sem olhar para trás. Deve ser uma das boas apresentações deste primeiro dia de Lolla.

 

The 1975 – é uma banda de Manchester que desonra a tradição da cidade em formar grandes artistas. Faz um pop aguado e sem relevância alguma. Evite.

 

Tribalistas/St.Vincent (sobreposição) – St.Vincent é uma artista de ponta, que oferece um show calcado em rock existencial talkingheadiano e guitarras pós-glam. Deve fazer uma ótima apresentação. É ela a nossa escolha.

 

Sam Smith – Não, gente.

 

Arctic Monkeys/Macklemore (sobreposição) – Sem qualquer sombra de dúvidas, Arctic Monkeys. O último disco deles, “Tranquility Hotel & Casino” é um dos melhores de 2018 e marca uma audaciosa mudança de cores sonoras. Deve ser O SHOW deste primeiro dia.

 

 

Dia 06 de abril – sábado

Catavento – Septeto de Caxias do Sul, RS, que, segundo consta, milita na seara do rock psicodélico. Está no terceiro disco, lançado com a ajuda da Natura Musical. Nada demais, pode esperar por algo que valha mais.

 

Carne Doce/Duda Beat (sobreposição) – Uma escolha difícil, a boa banda goiana, com a carismática vocalista Salma Jô e a explosiva pernambucana, que emplacou o hit dourado “Bixinho” e um belo disco de estreia. Se você quer um show mais animado e dançante, Duda é sua escolha.

 

Liniker e os Caramelows – o grupo paulista vem no embalo do disco mais recente, “Goela Abaixo”. Deve ser uma apresentação interessante, uma vez que a vocalista Liniker tem uma boa performance ao vivo.

 

Rashid/LANY (sobreposição) – Rashid, sem qualquer dúvida. O rapper paulistano é um dos grandes nomes da cena mais criativa da música brasileira atual. Nem pense.

 

Silva – O cantor, compositor e multinstrumentista capixaba tem bom repertório, bons álbuns lançados e versatilidade suficiente para fazer um bom show. No mínimo.

 

 

Snow Patrol/Jain (sobreposição) – O grupo escocês é veterano da cena pós-Coldplay sensível dos anos 2000. Tem bala pra fazer um show que vai agradar seus fãs e mais ninguém. A cantora francesa é novidade, faz uma mistura de pop, eletrônica e ritmos exóticos. Empate técnico.

 

Bring Me The Horizon – Os ingleses vêm a bordo de disco novíssimo – “amo” – recém lançado e com um público crescente, mas sua música é meio qualquer nota. Vai agradar a fãs e nada mais.

 

Lenny Kravitz/Jorja Smith (sobreposição) – O veterano cantor e compositor americano lançou um bom disco ano passado – “Raise Vibration”, que ninguém ouviu. Tem bala pra fazer um showzaço, enquanto Jorja Smith é uma dessas cantoras britânicas de R&B atual, com muita eletrônica, vocalises e falsetes, tentando ser uma espécie de nova Sade para o século 21, posto ainda vago. Eu teria problemas pra decidir.

 

Post Malone – O rapper americano faz uma música que não me agrada, mas tem mais de 50 milhões de audições mensais em sua página no Spotify. Alguma dúvida que vai lotar e os fãs o acompanharão do início ao fim?

 

Kings Of Leon/Odesza – De um lado, o decadente grupo americano, do outro, a ascendente dupla de música eletrônica de Seattle. Sinceramente? Eu iria embora mais cedo pra casa.

 

 

Dia 07 de abril – domingo

 

E a Terra Nunca me Pareceu tão Distante – Vai abrir o último dia com um show de rock instrumental à la Mogwai. Parabéns pela coragem. Eu veria, de curiosidade.

 

Aláfia/Luiza Lian (Sobreposição) – Aláfia é um supergrupo paulistano, cantando paulistices urbanas, com participação de vocalistas. Pode ser legal. Luiza Lian vem com seu candomblé espacial a bordo de seu disco “Azul Moderno”, lançado ano passado. Escolha difícil, mas fico com Aláfia.

 

The Inspector Cluzo – Dupla francesa que faz um “rock furioso” segundo as informações oficiais. Pode ser uma atração estranhíssima ou muito interessante, pois as canções se alternam entre partes acústicas e o esporro apocalíptico total. Curioso mas passo longe.

 

BK/Letrux (Sobreposição) – Difícil, hein? O rapper Abebe Bikila, mais conhecido com BK, tem um trabalho interessantíssimo, enquanto a performática Letícia “Letrux” Novaes, com sua banda sensacional, dispensa maiores apresentações. Acho que fico com Letrux.

 

Gabriel, O Pensador – A última vez que Gabriel lançou algo novo, foi em 2012, ano do fim do mundo, segundo o calendário dos maias, lembra? Ele retorna agora com singles ao vivo e tal, mas seu trabalho tornou-se incrivelmente datado e sem sentido diante da atual e pulsante cena hip-hop nacional.

 

The Struts/IZA (Sobreposição) – The Struts é uma banda inglesa que se diz “neo-glam” e conta com uma canção em parceria com … Ke$ha em seu mais recente disco. IZA é das boas revelações da música brasileira. Sem hesitação, vamos ver a cantora carioca.

 

Interpol – Banda americana que sempre soou superestimada e ruim de palco, porém, com bons discos lançados. Deve ser interessante mas nada demais.

 

Greta Van Fleet/Rufus du Sol (Sobreposição) – Greta Van Fleet é uma cruza de Nissin Ourfali com uma banda cover do cover do cover de Led Zeppelin. Rufus Du Sol é um trio australiano de música eletrônica e R&B. Sem dúvida, vamos de Rufus até debaixo d’água.

 

Twenty One Pilots – Duo americano que emula o minimalismo rocker de Black Keys e similares. Passo.

 

Kendrick Lamar/Years & Years (Sobreposição) – Kendrick Lamar é o melhor show deste festival e o mais importante artista do rap mundial da atualidade. Ponto final.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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