13 Melhores Séries de 2020

 

Num ano em que a gente precisou ficar em casa como nunca, as séries e os serviços de streaming consolidaram sua presença nas nossas vidas, substituindo – com folgas – o cinema. As produções disponíveis são cada vez mais ricas e complexas, envolvendo tramas sensacionais e diversificadas. Fizemos essa lista sem ordem de preferência, para que você corra atrás do que não viu e confirme se suas preferidas estão aqui.

 

Aviso: como todas as listas da Célula Pop, esta aqui é anti-hype.

 

 

 

– The Crown (Netflix) – A nova temporada de “The Crown” despertou o interesse logo quando foi anunciada, há quase dois anos, por trazer os eventos dos anos 1980. E, a bordo deles, o relacionamento entre o Príncipe Charles e Diana Spencer. Só que a precisão histórica da série segue irretocável, com destaque para os eventos da Guerra das Malvinas e, sobretudo, pela presença da Primeira Ministra margaret thatcher, que ganhou interpretação marcante de Gillian “Scully” Anderson.

 

 

– The Mandalorian (Disney) – A trama que retrata a vida de um caçador de recompensas mandaloriano após os eventos de “O Retorno de Jedi”, é a grande produção do universo de Star Wars desde, bem, desde o próprio filme de 1983 (e “Rogue One”, um clássico instantâneo para os fãs). Com clima de western, atuações marcantes e uma segunda temporada de tirar o fôlego, “The Mandalorian” vai resgatando tudo o que a história original de George Lucas tem de bom e que foi colocado em risco pelas duas trilogias mais recentes.

 

 

– Bom dia, Verônica (Netflix) – a série nacional que traz Tainá Muller como a escrivã de polícia justiceira teve seus erros mas os acertos foram maiores. Entre eles estão as atuações impressionantes de Du Moscovis e Camila Morgado, como o casal protagonista de um relacionamento abusivo e doentio. O clima da produção e o roteiro, inspirado em livro homônimo, foram outros bons acertos. O final, no entanto, é praticamente imperdoável e uma eventual segunda temporada pode resgatar a série. A conferir.

 

 

– O Gambito da Raínha (Netflix) – o grande e improvável sucesso do ano. Anna Taylor Joy é Beth Harmon, uma jogadora prodígio de xadrez, que busca alcançar o mais alto grau de eficiência no jogo em meio a um universo machista, ao mesmo tempo em que enfrenta vícios e solidão. A série é tão bem feita que muitos pensaram se tratar de uma biografia e a atuação de Taylor Joy é maravilhosa, equilibrada entre a loucura e o fascínio. Belezura.

 

 

– Star Trek: Discovery (Netflix) – jamais imaginei que escreveria algo positivo de Star Trek: Discovery, mas a terceira temporada da série – confirmando a segunda, que também foi interessante – resgatou algo das franquias originais de Star Trek, finalmente dando contornos louváveis a Discovery e salvando-a da modernidade vazia que caracterizou sua primeira fornada de episódios. Fãs vão, finalmente, gostar.

 

 

– I Know This Much Is True (HBO) – Mark Ruffalo estrela e produz esta série impressionante sobre dois irmãos gêmeos – sim, ele interpreta ambos. Um deles, Thomas, é esquizofrênico e vive às voltas com vários problemas. O outro, Dominic, tem sua vida atribulada, não só pelo irmão, mas pelos próprios problemas de ser um cara atormentado pelo passado e pelo fim do casamento. Lenta, porém intensa e sensacional, a série é excelente.

 

 

– Perry Mason (HBO) – o excelente Matthew Rhys encarna o detetive Perry Mason nesta nova adaptação do personagem e lidera um elenco que ainda tem o ótimo John Lithgow e Tatiana Maslany numa trama de assassinato, sequestro e outros crimes obscuros, tudo ocorrido numa Los Angeles da década de 1930 em plena crise do capitalismo. Ótima produção e atuações e a torcida por uma nova temporada em 2021.

 

 

– The Outsider (HBO) – o livro de Stephen King foi levado às telinhas com uma abordagem lenta e minuciosa da história, que traz um ser que se alimenta da força vital de outros seres. Os ótimos Ben Mendelsohn e Cynthia Erivo lideram o elenco e mostram a caçada à criatura por locais que King sempre visita em seus livros, na Costa Leste americana, especialmente nos estados do Maine e Nova York. Uma trama quase em câmara lenta, mas muito legal.

 

 

– The Boys (Amazon Prime) – mais uma história em que heróis são retratados com humanidade excessiva, mas o que diferencia The Boys dos similares é que ela é um produto do nosso tempo e não tem papas na língua. Sendo assim, os paladinos da justiça retratados aqui são pessoas lamentáveis, fascistóides, maníacas e que, ao mesmo tempo, integram o sistema e compactuam com as injustiças que dizem combater. À frente do elenco sensacional está Anthony Starr, que vive o … HOMELANDER, cujo nome – sensacional – foi traduzido pessimamente como … CAPITÃO PÁTRIA. Não precisa ir muito longe pra saber que, com este nome, só pode se tratar de um louco, certo? Imperdível.

 

 

– Homecoming (Amazon Prime) – a primeira temporada, que tinha Julia Roberts, foi excelente, mas a segunda, com Janelle Monáe, a levou para um novo lugar. Criada por Sam Esmail (Mr Robot), a série mostra os subterrâneos do tratamento psiquiátricos dispensado a veteranos de guerra americanos. Se o primeiro grupo de episódios mostrava Roberts como a terapeuta, a segunda tem Monáe como paciente e tudo passa a acontecer. Uma beleza.

 

– Plot Against America (HBO) – baseada no conto de Phillip Roth, a série traz uma realidade alternativa em que os Estados Unidos veem a ascensão política de Charles Lindbergh, um aviador de postura xenófoba e populista. O centro da narrativa está na vida de uma família judia de Nova Jersey, com destaque para a atuação de Zoe Kazan, como Bess Levin e para Winona Ryder, como Eve, sua irmã mais velha, que divergem politicamente em meio à escalada das tensões. Terrivelmente real e assustadora.

 

 

– Alta Fidelidade (Hulu) – a adaptação do livro de Nick Hornby ficou muito melhor com Zoe Kravitz na pele de Rob Gordon do que John Cusack. Ainda que o livro ainda seja muito melhor que as versões audiovisuais, este “Alta Fidelidade” surgiu promissor e descolado mas foi cancelado logo após a primeira temporada, sabe-se lá. Kravitz é adorável e sua Rob é muito mais legal.

 

 

– Zona de Separação (Netflix) – série espanhola sensacional e pouquíssimo comentada, na qual a trama se passa num futuro em que a Espanha – e outros países – saíram vencedores da Terceira Guerra Mundial. Mesmo assim, a democracia deu lugar a um regime fascista, o padrão de vida da população despencou e ela está segregada por conta de um vírus letal, que é mantido circulando apenas entre os mais pobres. Violenta e dura, “La Valla”, é uma ótima opção pra quem gosta desse tipo de sci-fi.

+2

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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