“Caos”: A pior música dos Titãs
Está nas plataformas de streaming a canção “Caos”, single que antecipa o novo álbum dos Titas, ainda sem nome e com previsão de lançamento para algum ponto do segundo semestre. A produção é do descobridor dos Mamonas Assassinas e produtor de ET e Rodolfo, Rick Bonadio, que já assinou um álbum na carreira do grupo paulista: o péssimo “Sacos Plásticos”, de 2009. É uma composição de Rita Lee, Roberto de Carvalho e seu filho, Beto Lee, com a missão de dar um testemunho sobre o momento político e social do país, em pleno 2022, ano-chave para que seja reestabelecida a normalidade democrática e institucional, após quatro anos de governo bolsonaro.
E o que os Titãs fazem? Lançam uma … canção anti-governo. Não é legal?
Lembram do “contra tudo o que aí está” lavajatista? Pois é.
Parecem o Capital Inicial. Mas são os Titãs.
Bem, a gente sabe, são apenas três remanescentes do grupo que já lançou canções como “Igreja”, “Polícia”, “Desordem” e outras obras que atacaram a ordem estabelecida com fúria e senso de oportunidade. Hoje, junto de Bonadio, o trio composto por Sergio Brito, Branco Melo e Tony Belotto, soa como três participantes de um clube de motociclistas, alheio à necessidade premente de termos, sim, um governo que seja governo. Que atenda às necessidades do povo mais necessitado, que está passando fome e perdendo dignidade a cada dia que passa.
A última coisa que alguém precisava ouvir em 2022 é uma canção como “Caos”.
A gente não gosta de gastar espaço falando de coisa ruim, mas esse tipo de coisa vai contra tudo o que o site acredita. Serve como um alerta. Se o mundo de hoje não distingue comentários negativos dos positivos, apenas vê o espaço destinado ao assunto, dane-se, a ideia aqui foi falar mal de “Caos”, a pior gravação já feita pelos Titãs.
Letra CAOS – Rita Lee / Roberto de Carvalho / Beto Lee
Não estou aqui a passeio
Vim em busca de mim
Tô viciado em oxigênio
Tô pilhado e de saco cheio
Da excrescência calhorda
Da horda de Vossas Excelências
Cuspindo no microfone
Cheirando a enxofre
É a caterva dos cafajestes
Dessa subespécie
De homem sapo
Batráquio terráqueo
Sou hippie das antigas
Do velho e bom paz e amor
No cano da arma ponho uma flor
E quando ela me aponta eu berro:
Hay gobierno soy contra!
Soy contra, soy contra, soy contra
Contra el Gobierno!
Não estou aqui a passeio
Vim em busca de mim
Tô viciado em oxigênio
Tô pilhado e de saco cheio
Sou hippie das antigas
Do velho e bom paz e amor
No cano da arma ponho uma flor
E quando ela me aponta
Eu berro
Hay gobierno soy contra!
Soy contra, soy contra, soy contra
Contra el Gobierno!
Tá dodói?
Tá maus?
Tá foda!
Tá o caos!

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.
Eu não sei não. Será que é ? Pareceu uma “cousa” contra o atual governo e não uma música anti-governos.
Enfim, acho que ninguém vai ouvir.
Parece o Capital Inicial, mas é o Titãs. Puta que pariu…