50 mil mortos e contando…

Foto: Alex Pazuello

 

 

Mais de 50 mil…

 

Pessoas na mureta da Urca.

 

Pessoas andando nas ruas do Centro da cidade.

 

Pessoas sem máscara ou com ela no queixo.

 

Pessoas no supermercado.

 

Pessoas na igreja.

 

Pessoas vendo o jogo do Flamengo.

 

Pessoas indo a festas.

 

Pessoas indo aos shoppings.

 

Pessoas aos milhares.

 

Pessoas nas ruas sem necessidade.

 

Pessoas andando no calçadão.

 

Pessoas com suas crianças.

 

Pessoas liberando áreas de seus prédios.

 

Pessoas na quitanda, no comércio.

 

Pessoas agindo como se nada houvesse.

 

Enquanto isso, os números do consórcio de veículos de informação, baseados nas secretarias estaduais de saúde, contabilizam mais de 50 mil mortos e mais de 1 milhão de casos de Covid-19 no Brasil.

 

O maior conflito armado da história do país, a Guerra do Paraguai, custou a vida de 100 mil brasileiros. Já estamos a meio caminho disso. Aliás, se levarmos em conta as subnotificações, segundo órgãos de pesquisa, este número já pode estar até quatro vezes maior que as vítimas daquela guerra inútil.

 

As pessoas adotaram a postura de negação, popularizada pelo governo federal. Não há ciência, não há problema, não há crime, não há queiroz escondido, não há nada. Ora, o que não há é governo.

 

Acima de tudo, o que não há é empatia. A capacidade de se colocar no lugar do outro.

 

Quando a pandemia passar, quando o atual governo passar, teremos a certeza de que somos um povo de valor, mas também um povo com muitos traços de maldade, doença, crueldade e pobreza de espírito. E precisaremos nos olhar no espelho, mais cedo ou mais tarde.

 

50 mil mortos.

 

1 milhão de casos.

 

E pode ser mais. Muito mais.

 

Fica em casa.

1+

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

3 comentários em “50 mil mortos e contando…

  • 22 de junho de 2020 em 11:41
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    Poxa, rapaz, aceite meus sentimentos pelo seu pai. Eu ainda acho – tenho esperança – que iremos melhorar como povo e como indivíduos. Mas, confesso, é uma esperança meio sem sentido.

    Abraço.

    0
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    • 22 de junho de 2020 em 13:55
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      Acho que a esperança é um bom sentimento! Eu questiono se ainda tenho. Fico sempre a refletir sobre “O que é o ser humano?”

      Obrigado pelas palavras e pelos textos, são essas expressões humanas que ainda me fazem seguir adiante.

      0
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  • 22 de junho de 2020 em 11:00
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    Fico perplexo e extremamente triste com o que acontece. Não existe empatia, consideração com o próximo, as pessoas necessitam tanto voltar a seus próprios interesses que “cagam” para a dor alheia. Falo isso, porque meu pai foi uma das vítimas. Fica meu espanto e desencanto por esse país, estado e município que tenho que viver.

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