15 milhões só em leite condensado

 

 

E aí, pessoal? Vocês têm sentido a dificuldade crescente para fazer compra no mercado, né? Tudo está mais caro, do necessário ao supérfluo. Foi-se o tempo em que íamos às compras e os preços eram os mesmos da ida anterior. Na verdade, tal circunstância era a exceção. O Brasil, apesar de ser um dos países mais ricos em produção de alimentos no mundo, sempre foi vitimado pela inflação dos preços destes mesmos alimentos para o mercado interno. Isso é uma opção histórica, tomada por governos passados, ainda que seja possível notar algumas poucas administrações que promoveram medidas econômicas que frearam os preços. Vocês sabem quais foram, certo? Nem faz tanto tempo assim.

 

Mas tal rotina de preços altos não afeta todo mundo, sabemos bem também. O capitalismo é aquele sistema econômico que proporciona oportunidade para o acesso de poucos a todo tipo de benesses e a alimentação rica e diversificada é uma delas. Veja, por exemplo, os dados referentes aos gastos do governo federal com compras de mercado em 2020. A gente sentiu na carne o quão difícil foi o ano passado em todos os sentidos. E a alta dos preços da comida foi um dos fatores que tiraram o sono de muita gente, pra não falar que também impediu o sono de muito mais pessoas, porque, sabemos, é impossível dormir com fome.

 

Tal problema não passou nem perto das despesas do governo federal com comida. Um levantamento divulgado pelo Portal Metrópoles no domingo (25) mostra está tudo muito bem na despensa do Executivo Federal. Segundo o (M)dados, foram R$ 15.641.777, gastos apenas em Leite Condensado no ano de 2020, número que transformou o item num dos principais gastos do governo em supermercado. Estima-se em quase DOIS BILHÕES DE REAIS o gasto de compras, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.  A média de preços da lata de leite condensado é 5 reais.  O total de gastos para este item aponta para mais de TRÊS MILHÕES DE LATAS compradas ao longo do ano, cerca de OITO MIL LATAS por dia. Impressionante, não? A gente até fica torcendo para que haja um superfaturamentozinho nessa despesa.

 

Além dos itens de “cesta básica” – arroz, feijão, verduras, legumes, massa, carne – chamam atenção os R$ 16,5 milhões gastos em batata frita embalada, R$ 13,4 milhões em barra de cereal, R$ 12,4 mi em ervilha em conserva, R$ 21,4 mi em iogurte natural. Só em goma de mascar, foram R$ 2.203.681. Isso sem falar em geleia de mocotó, picolé, pão de queijo, vinho, bombom, chantilly e outros itens. De molho shoyu, molho inglês e molho de pimenta foram mais de R$ 14 milhões do montante pago. Pizza e refrigerante também fizeram parte do cardápio do ano. Débito de R$ 32,7 milhões dos cofres da União.

 

Nós pagamos por isso.

 

E aí? Vamos comprar um miojo com steak de frango pra aguentar a última semana do mês?

 

Você pode conferir a lista completa de itens neste link aqui. 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

2 thoughts on “15 milhões só em leite condensado

  • 27 de janeiro de 2021 em 14:40
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    Pois é, também lembrei desse fato aí. Estamos no alçapão que fica no fundo do poço.

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  • 27 de janeiro de 2021 em 13:21
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    Perfeito. Me fez lembrar o escândalo que foi em 2010 quando descobriram que o ministro Orlando Silva havia comprado uma tapioca por 8 reais (!!!!!) com cartão corporativo. Ainda bem que com o Bozo a moralidade foi restaurada, né?

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