O Monge Leonard Cohen

 

Esta semana foi anunciado o lançamento do álbum póstumo de Leonard Cohen, “Thanks for the Dance”. Eu imediatamente senti saudade dele e uma vontade de escrever sobre o que ele ele significa para mim como um ser humano nobre, em constante conflito e elevação espiritual.

 

Cohen nasceu em 1934 em Quebec, no Canadá, de uma família judaica. Nos anos 50 e 60, publicou poesias e histórias, e em 1967 lança o seu primeiro álbum. Torna-se músico e poeta conhecido, mas sem abandonar a sua essência quieta, com momentos de reclusão. Suas letras expressam sensibilidade ao não pertencimento, simplicidade existencial, preocupações políticas e uma visão clara das constantes transformações da vida. Em um caminhar natural, nos anos 70 ele começa a sua prática espiritual Budista num templo Zen com Roshi Kyosan Joshu Sasaki , sendo ordenado monge em 1996.

 

Já em 2001, ele deixa o templo e retoma seu trabalho como compositor. Um homem de qualidade iluminadas, mas sem aptidão religiosa.  Cohen nunca deixou de ser judeu. E deixou claro em muitas ocasiões que não estava a procura de uma nova religião. Numa entrevista à BBC em 2007, disse “As investigações que eu fiz em outros sistemas espirituais certamente iluminaram e enriqueceram minha própria tradição”.

 

Ele era um estudioso espiritual, um observador da vida. Ele não tinha preocupações de ser isso ou aquilo, de acertar ou não. Ele viveu em liberdade, respondendo suavemente à vida, na medida em que ela pedia alguma coisa.

 

O mundo material nos exige a pertencermos a grupos, a rotularmos e fecharmos conceitos. Ele cria a impressão de que nós controlamos alguma coisa. E pessoas sensíveis a esta ilusão, pessoas de qualidade desconfortável e inquieta, naturalmente buscam a quietude e reclusão. Isso é muito claro.

 

Eu participei por alguns anos de praticas Budistas Tibetanas e Zen. Levei a sabedoria do Zazen – a meditação silenciosa Zen – comigo como uma ferramenta de, dentre muitas coisas, autoconhecimento. Mas nunca senti a aspiração de pertencer a algum lugar. Se irei sentir algum dia, não importa. É a vida que vai me dizer.

 

Talvez seja por isso que Cohen, “The Ladies Man”, seja tão querido para mim. A vocação espiritual livre, de andar muitas vezes sozinho, em silêncio. Um homem de tantos relacionamentos importantes; mas a aspiração maior era com a própria vida, não de forma egoísta, mas elevada.

 

A verdade é que nós não conhecemos ninguém. Somos um oceano infindável e as nossas relações com os outros – e muitas vezes com nós mesmos, o que é um erro – são manifestadas na superfície. E ainda bem. Para sermos humanos e vivermos em respeito e amor, não precisamos desta pretenção. O mistério torna tudo muito mais interessante.

 

Nessa ótima estrevista de 2001, recém saído do templo, ele fala de espiritualidade e da retomada à carreira após quase 10 anos, com o álbum “Ten New Songs”.

 

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Suellen Pareico

Terapeuta Complementar, mestranda em Medicina Tradicional Chinesa e estudante de Filosofia. Conectada com o mundo espiritual, porque mistérios sempre há de pintar por aí.

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