Narcisismo, grande mal da humanidade

 

“Narciso acha feio o que não é espelho”

Caetano Veloso, “Sampa”, 1978

 

 

Freud considera a Teoria Evolucionista de Darwin como uma das três feridas narcísicas da humanidade. Isso significa que com a interdependência e evolução das espécies, o ser humano se “rebaixou” ao nível animal e perdeu a sua pretensa superioridade. O homem não quer descender de um animal. Ele não quer até mesmo a se igualar a outro homem. O Narcisismo, como grande mal da humanidade, nos faz competir para que sejamos diferentes, melhores do que todo os outros.

 

 

Eu sempre acreditei que se nós cultivássemos a harmonia em nossas vidas e fizéssemos a “nossa parte”, quer dizer, cuidássemos do nosso jardim, desenvolvêssemos a nossa espiritualidade, reciclássemos o lixo e vivessemos em equilíbrio com o meio ambiente, isso já transformaria o mundo. Sim, a simplicidade das ações individuais se refletem no Todo e um ser humano influencia outro, que influencia outro, etc, numa poderosa corrente de empatia.  Sim, num mundo em harmonia, isso é verdade. Só que este mundo não existe hoje.

 

 

A saúde do mundo contemporâneo nos pede muito mais. O Capitalismo – fruto do Narcisimo – que nos alimenta com a cultura da exclusividade, dentre outras toxidades, ele está corroendo a Terra. A Terra, a única casa que nós temos até o momento, precisa de atitudes práticas urgentes que visam o coletivo. Que sejamos voluntários em causas sociais/ambientais, que façamos doações, que nos manifestemos politicamente [nas ruas, quando for seguro] e que nos eduque verdadeiramente a pensar de forma global.

 

 

Como nos filmes de guerra que retratam terríveis conflitos civis, onde a população se une para cuidar dos feridos. Sabe, nós vivemos exatamente isso, mas num ambiente maquiado com uma aparente paz e beleza: As florestas pegam fogo, mas a paisagem aqui de casa é linda. A Síria é bem longe daqui. Eu não tenho nada a ver com os refugiados. Eu não conheço ninguém que morreu de COVID. É muito fácil nós acharmos que as complicações do mundo são distantes e diferentes de nós. Mas é urgente nós abandonarmos estas ilusões. O ‘fazer a nossa parte’ é fundamental, mas não supre a demanda por transformação do mundo atual.

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Suellen Pareico

Terapeuta Complementar, mestranda em Medicina Tradicional Chinesa e estudante de Filosofia. Conectada com o mundo espiritual, porque mistérios sempre há de pintar por aí.

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