É Preciso Meditar

Kit Transcendência é uma coluna que quer trazer um pouco de espiritualidade para o cotidiano, sem dificuldades ou radicalismos. Espiritualidade é prática, que pode ser feita em qualquer lugar, de várias formas. Quero compartilhar algumas ideias e vivências pessoais que deixaram a minha vida com menos dramas.

A minha curiosidade pelo transcendental começou na infância, desde quando descobri os livros do Lobsang Rampa de meu pai e me perguntava como eu poderia abrir a minha terceira visão. Ou quando a minha tia contava suas experiências em projeção astral. Lembranças assim, começavam a me mostrar um mundo invisível que me intrigava. Mais tarde, comecei a trilhar vários caminhos que me ajudaram – e ainda ajudam – a conhecer a mim mesma.

Recordo-me de minha primeira experiência religiosa, num templo Budista de tradição Tibetana. Depois de 2 anos e uma série de encontros, o monge me disse, “Você deve decidir o que você quer”, referindo-se às minhas explorações espirituais. Eu entendi a sua preocupação quanto à disciplina, mas eu não tinha dúvidas: eu não queria lugar nenhum, ao menos naquele momento.

Foi nessa época que comecei a meditar de verdade. Meditação é uma prática comum a várias religiões, uma ferramenta sem mistérios. Basicamente, te ensina a sentar e ficar quieto. E fazia sozinha mesmo, em casa, por cinco minutos. As vezes por 2 minutos, algumas vezes ao dia, quando era conveniente. O bem-estar foi imediato.

Existem vários tipos de meditação, para vários propósitos. Só descrevo aqui o jeito simples que comecei.

E o que não é a meditação, senão mais um ritual? Nosso cotidiano se faz por rituais, desde que acordamos de manhã. Tudo é ritual. E, no caso da espiritualidade, eles são essenciais para firmar a prática e a disciplina. Acender um incenso, uma vela ou fazer uma oferenda não são as únicas formas. Pode-se firmar um ritual no ônibus de manhã indo para o trabalho, ouvindo a música ou o mantra que te traz paz. Isso é algo básico, mas que eu entendi há pouco tempo: o quanto a presença de rituais trouxe mais serenidade para a minha vida e que existe muita sabedoria na rotina – se você sabe usá-la a seu favor. Pode-se iluminar aspectos pequenos da rotina diária com a atenção plena, por exemplo. Quando lavar-louça, somente lave a louça. Quando beber água, somente beba água. “Estou andando na rua agora”, “Estou escrevendo”. Assim, a mente não fica divagando para passado ou futuro e está ali. Esta ritualística é na verdade o simples trabalho no Zen. Mas essa história eu deixo para um outro momento.

Finalizo com uma passagem do livro “Comece Onde Você Está” da monja Pema Chodron, que poderia até mesmo ser o título deste primeiro texto.  “Nós já temos tudo o que precisamos. Não há necessidade de auto-aprefeiçoamento. Todas essas viagens que nós colocamos em nós mesmos – o temor de que nós somos maus e devemos ser bons, as identidades as quais nos apoiamos com tanta força, a raiva, a inveja e vícios de todo tipo – nunca chegam perto da nossa riqueza básica. Elas são como nuvens que bloqueiam temporariamente o sol. Mas a todo tempo o nosso brilho e calor estão aqui. Isso é o que somos. Nós estamos a um piscar de olhos de estarmos totalmente conscientes”.

Suellen Pareico

Carioca que gosta muito de música, curiosa pelo mundo espiritual, nem sempre oculto. Porque mistério sempre há de pintar por aí.

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