Feliz aniversário, Gandhi!

Esta semana, no dia 2 de outubro, comemorou-se o aniversário de Mahatma Gandhi. Fui a uma palestra da filósofa e poeta Lucia Helena Galvão, com o apoio da Embaixada da India, e senti na necessidade de escrever sobre este homem, a quem devemos tanto.

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu em 1869 em Gujarat, na India. Menino e adolescente muito tímido, formou-se advogado em Londres apoiado pelo seu irmão mais velho. Sem conseguir trabalho na India, mudou-se para Africa do Sul, onde viveu por 21 anos. Foi lá que começou a se dedicar à causas humanitárias e iniciou a sua resistência civil pacífica pela igualdade social e direitos humanos. Sua ações pautadas no Ahimsa – não-violência – culminaram na Independência da India da colonização inglesa em 1947.Gandhi dedicou a sua vida a servir a humanidade e a paz. Ele servia ativamente, não esperando ninguém fazer por ele.

Em todos os momentos de sua vida, da juventude à velhice, ele era quem estava na dianteira de suas manifestações, liderando pelo exemplo, agindo com estratégia, articulação e inteligência. Viveu para o que existe de real na vida: O desenvolvimento e elevação humano.Por ser indiano, muitos acham que ele era Hinduísta. Sim, o Hinduísmo era uma forte influência em sua vida, como lê-se num trecho de sua autobiografia Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade: “O que eu quero alcançar – o que eu me esforcei e ansiei alcançar nestes 30 anos –  é a autorrealização. Ver a Deus cara a cara, a atingir Moksha [libertação do Samsara]”.Mas Gandhi era um religioso eclético, que sempre quis aprender com outras vertentes espirituais e culturais, nunca as excluindo.

Teve diálogos com Helena Blavatski, admirava Tolstói, Henry Thoreau e tinha o Sermão da Montanha como um de seus textos preferidos. O seu respeito à religião Muçulmana e as suas tentativas de unir Muçulmanos e Hindus causaram à sua morte. Um extremista indiano que não entendia a sua filosofia de amor e verdade –  Satyagraha, que quer dizer “firmeza na verdade” – tirou a sua vida em 1948.

Mahatma Gandhi dizia, “Ver o homem é o mesmo que ver à Deus”. Se você não trata a humanidade com amor, igualdade e justiça, você não verá Deus, não importa o quanto você reze. A libertação do outro é a sua também. Como se toda a Criação ou Universo ou Cosmos, como queiramos chamar, fosse um corpo todo amarrado por uma corda. Quando libertamos uma pequena parte, uma mão por exemplo, já traz um grande alívio.

É mais ou menos assim que deveríamos pensar nos outros; a elevação humana e espiritual de um é nossa também.E o contrário também ocorre. Quando um homem, por qualquer motivo, cai no abismo, nós todos caímos junto. A humanidade é uma só.Com disse antes, Gandhi era bem tímido, desenvolvendo um pouco a sua retórica somente quando começou a trabalhar como advogado.

Mas é interessante saber que ele era medroso também, com uma passagem  curiosa em sua auto-biografia no qual ele descreve medos do escuro, de espíritos e até imaginando serpentes entrando em seu quarto. Até que um dia, uma mulher que cuidava dele, o ensina a conversar com Rama, a repetir o seu nome, pois Ele conforta e extingue os medos imediatamente. Rama ou Ramachandra é uma das maiores divindade Hindus, um dos avatares do Deus Vishnu. E Gandhi levou isso por toda a sua vida, não sentindo medo novamente. Esta manhã, na palestra, eu ouvi um relato sobre o momento em que ele faleceu. Depois de ter sido atingido, testemunhas dizem que ele repetiu, “Rama, Rama, Rama…”

Acho de uma devoção e coerência extraordinária. Como o homem que ele foi e a quem devemos tanto. Um homem sem nenhuma gota de ódio, que fazia do perdão uma arte. Um dos mais bonitos seres humanos que já andaram por este mundo.

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Suellen Pareico

Terapeuta Complementar, mestranda em Medicina Tradicional Chinesa e estudante de Filosofia. Conectada com o mundo espiritual, porque mistérios sempre há de pintar por aí.

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