A Mensagem de Yoko Ono

 

 

Yoko Ono é uma mulher muito famosa que poucos conhecem. Sempre atrelada a John Lennon, seu terceiro marido, ela tem uma vida marcada por acontecimentos complicados, que deixariam muitas pessoas bastante  abaladas. É artista, compositora, ativista, mãe e outsider, sem nunca ter perdido a sua identidade, o que não é fácil. Com uma mente única, aos 86 anos, ela continua a inovar ideias e apresentar caminhos para o mundo.

 

Yoko nasceu de uma rica família em Tóquio, no Japão, em 1933. Aos 12 anos, ela presencia o bombardeio de sua cidade durante a Segunda Guerra. Durante um ano, sua família vive sem recursos em um bunker. Com o fim da guerra, ela termina o segundo grau em Tóquio e, em seguida, parte para Nova York. Yoko começa a estudar artes plásticas e se envolve com artistas, compositores, poetas, toda a cena cultural da cidade dos anos 1950. La Monte Young foi seu primeiro contato com a arte, e logo depois, o compositor e filósofo John Cage. Ela passa a integrar o importante grupo multicultural Fluxus, que nega a arte como mercadoria e valoriza o processo artístico.

 

Em 1956, Yoko volta para Tóquio e se casa com o compositor experimental Toshi Ichiyanagi. Depois de 6 anos eles se divorciam e Ono retorna a casa dos pais sofrendo de depressão e eles a internam em uma clínica psiquiátrica. No mesmo ano, ela se casa novamente, desta vez com Anthony Cox, um artista e jazzista americano, que a tira da clínica. Os dois têm uma filha juntos, Kyoko.

 

Yoko e Cox se divorciaram em 1969, e ela se casa com John Lennon no mesmo ano. Depois de anos em batalha judicial pela custódia de Kyoko, Cox ganha a ação e desaparece com a filha. Yoko e Lennon procuraram a menina durante anos, mas as duas só se reencontram quase 30 anos depois.

 

Casada novamente, inicia-se a fase “John e Yoko”, que todos conhecem, com a polêmica separação dos Beatles.

 

Yoko ficou conhecida internacionalmente por desviar a atenção de John e contribuir com o fim da banda. A verdade é que todos  os integrantes já estavam trilhando novos caminhos e o mundo tem muita dificuldade em lidar com personalidades fortes. Para mim, John e Yoko eram o mais próximo do que poderíamos chamar de “almas gêmeas” – duas pessoas que se influenciavam mútua e positivamente e queriam experimentar o mundo juntos.

 

E essa influência mútua chegou na cama. Em um dos momentos (contra) culturais mais importantes até hoje, John e Yoko decidem abrir seu quarto de hotel durante a sua lua de mel em Amsterdã para um protesto pela paz mundial – evento que ficou conhecido como Bed-in. O casal usou de sua fama mundial para pedir o fim da Guerra do Vietnã e mais fraternidade entre os líderes mundiais. Convidaram a imprensa, que podia fazer perguntas das 9h até 21h, e o quarto permaneceu aberto por uma semana.

 

Este ano foi o aniversário de 40 anos do Bed-In. A Guerra do Vietnam só acabou em 1975, seis anos depois dos esforços pela paz de John e Yoko. Há alguns anos, Yoko disse em uma entrevista que eles entenderam que “a mudança é gradual, e que nem uma performance como Bed-in poderia consertar o mundo em uma semana”. Mas os dois tentaram. Tiveram uma ideia brilhante e a executaram por um bem maior.

 

Depois do assassinato de John nos anos 80, Yoko ficou sozinha, preferiu não casar novamente. Mas nunca desistiu de falar sobre a paz – nem por um dia – e de buscar meios para que ela se realize. Para mim, isso mostra um caráter e poder pessoal excepcionais, de saber quem você é e o que você quer realizar no mundo. A resiliência e a originalidade ir contra o senso comum, como a mensagem que ela deixou no Twitter nesta semana, “Seja objetivo em sua vida enquanto ela acontece para você, como se ela fosse um romance que você está escrevendo. E na verdade, você é um bom escritor, então escreva”.

 

Uma mulher jovem que ensina ao mundo que as nossas buscas e a verdade estão dentro de nós. “Meu destino preferido é ir para dentro de mim mesma. Qual é o seu?”.

 

 

O documentário BED PEACE por John e Yoko: veja aqui

 

Em tempo: Yoko também tem uma carreira musical interessante. Seus discos são complexos e anti-pop, mas se beneficiam de sua figura para transitar entre os círculos da música popular. São trabalhos experimentais que exigem dedicação do ouvinte. Para muitos, ela só grita e emite sons, mas há muitos defensores de sua carreira musical. Em breve publicaremos um texto específico sobre este assunto. De antemão, recomendamos a audição de “Season Of Glass”, álbum que ela gravou em 1981, cuja capa traz os óculos de John Lennon sujos de sangue. Este é o tipo de artista que Yoko sempre foi.

3+

Suellen Pareico

Terapeuta Complementar, mestranda em Medicina Tradicional Chinesa e estudante de Filosofia. Conectada com o mundo espiritual, porque mistérios sempre há de pintar por aí.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *